O governo dos EUA decidiu incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações consideradas terroristas. A medida é vista como potencialmente prejudicial à soberania brasileira, mas também pode ampliar a cooperação entre Brasil e EUA em áreas de inteligência e policiamento. Especialistas ouvidos pelo Valor discutem riscos e oportunidades da classificação.
Para Renato Sérgio de Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a decisão pode reforçar interesses intervencionistas dos EUA e afetar a soberania nacional. Ele aponta que crimes transnacionais podem ganhar maior prioridade de atuação do governo americano, o que, segundo ele, traria riscos ao Brasil.
Por outro lado, Leandro Piquet, professor da USP, afirma que não haveria cenário realista de tropas americanas desembarcando no Rio ou em São Paulo. Ele vê a classificação como abertura para acelerar provas de atuação internacional das facções e para ampliar sanções a integrantes.
Implicações para investigação e sanções
Lima acredita que o movimento pode facilitar a obtenção de evidências sobre a presença internacional do PCC e do CV, favorecendo medidas de responsabilização. Piquet concorda que as sanções podem ganhar celeridade, desde que haja fundamentação suficiente.
Ambos destacam que reconhecer organizações de outros países como terroristas é prática antiga dos EUA e, neste caso, uma decisão unilateral. O contexto inclui que, em 2021, o PCC já havia sido alvo de sanções no Tesouro dos EUA.
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