Israel foi incluída, pela primeira vez, na lista negra da ONU de países que cometem violência sexual em zonas de conflito. O processo foi divulgado em um relatório do escritório do secretário-geral António Guterres. O documento afirma que, no ano passado, a ONU verificou 31 casos de violência sexual praticados por forças israelenses contra palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Desses, 13 ocorreram em 2025 e 18 nos dois anos anteriores. O relatório aponta que os casos verificados são indicativos, não exaustivos.
Os incidentes verificados envolveram 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina. Entre as violações estão estupro, estupro em grupo, nudez forçada e violência contra genitais, praticadas por oficiais das Forças de Defesa de Israel, da polícia e do serviço prisional. A ONU afirmou que as investigações completas foram dificultadas pela gestão israelense e por ameaças contra detidos para evitar que abusos fossem reportados.
Israel rejeitou as acusações de abuso sexual e indicou que romperia relações com o escritório do secretário-geral. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, afirmou que Guterres estaria disseminando mentiras antissemitas e que a missão israelense se recusará a manter contato com o gabinete do secretário-geral enquanto ele permanecer no cargo.
Reações e contexto
O relatório cita que as investigações sobre os casos já verificáveis enfrentaram entraves e que houve relatos de detenções sob pressão para abrandar denúncias. Em 2023, o Hamas já havia sido incluído no relatório anterior sobre violência sexual relacionada ao conflito. A ONU também registrou casos em que vítimas palestinas relataram abusos por parte de capturadores do Hamas, embora não tenha conseguido verificar de forma conclusiva os relatos.
Em outra frente, o relatório manteve a nota de que houve elevação de casos de violência sexual após os ataques do Hamas em outubro de 2023. A ONU citou ainda denúncias de violência em instalações de detenção, com respostas de Israel variando entre investigações e ações legais quando cabíveis.
Rússia também incluída
Paralelamente, as forças armadas russas passaram a integrar a lista negra pela primeira vez, por violência sexual contra prisioneiros de guerra e detidos civis na guerra na Ucrânia. A ONU registrou 310 casos de violência sexual ligada ao conflito, envolvendo 280 homens, 26 mulheres e 4 meninas, em território russo e áreas sob controle russo. O conflito na Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, com a invasão liderada por Vladimir Putin.
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