O promotor de Justiça Lincoln Gakiya classificou como muito grave a decisão do governo dos Estados Unidos de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Ele afirma que a medida pode trazer consequências negativas para o Brasil, principalmente na soberania e na cooperação em segurança pública.
Em entrevista ao podcast O Assunto, do portal g1, Gakiya diz que não enxerga benefício prático na classificação. Ele aponta o risco de o país ter de lidar com ações militares secretas no Brasil, citando exemplos ocorridos no México e na Venezuela.
A mudança, segundo o promotor, desloca o eixo das investigações internacionais para a CIA e para estruturas militares americanas, elevando o sigilo de informações. O efeito seria uma provável queda na troca de dados entre autoridades brasileiras e parceiros estrangeiros.
Impactos práticos da classificação
A classificação pode levar a restrições maiores na divulgação de informações sensíveis, o que prejudicaria a cooperação com órgãos como FBI e DEA, segundo Gakiya. Ele destaca ainda possíveis implicações no setor financeiro.
O promotor cita a Operação Carbono Oculto, que revelou esquemas de lavagem envolvendo postos de combustíveis, fintechs, fundos de investimento e bancos. Ele afirma que bancos sem relação direta com o PCC poderiam ser atingidos por sanções caso a classificação seja aplicada de forma literal.
Quem é Lincoln Gakiya
Lincoln Gakiya é promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo e integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Atua há mais de duas décadas no enfrentamento ao PCC e é referência no combate à facção no país.
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