O Irã mantém estratégia de postergar as negociações com os EUA ao explorar o desgaste público e o calendário político americano. A leitura é compartilhada por Feliciano de Sá Guimarães, professor de Relações Internacionais da USP, que analisa o momento após ações militares de Israel no Líbano terem sido acompanhadas pela retirada iraniana da mesa de negociação.
Segundo o especialista, a decisão de suspender o diálogo faz parte de uma estratégia para estender o tempo até que as condições brasileiras de barganha aumentem. O objetivo é explorar a impaciência de Washington, o viés eleitoral de meio de mandato nos EUA e o custo político interno da guerra.
A leitura de Feliciano aponta três pilares para o desgaste: manter a pressão militar, ao mesmo tempo em que o Irã busca ganhar fôlego para ajustar propostas. O analista destaca que o Irã pode tentar reabrir o Estreito de Ormuz sob controle parcial, reduzir sanções ou destravar ativos financeiros para avançar seus interesses.
Estratégias em jogo
O Irã também sinaliza a retirada de tropas americanas de áreas próximas, o que o professor vê como objetivo de longo prazo que dificilmente será alcançado sem acordo nuclear. Enquanto isso, os EUA pressionam pela resolução do programa nuclear, incluindo o destino do urânio enriquecido já existente no país.
Para Washington, a luz verde para um acordo dependeria de avanços consistentes na verificação nuclear e de garantias sobre a retirada de bases e forças dos arredores. O debate envolve também a viabilidade de normalizar atividades comerciais internacionais de Teerã e a possível retomada das exportações do país.
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