Nesta sexta-feira (31), a Itália restringiu temporariamente a entrada de pessoas com saída da Espanha, suspendendo o acordo de livre circulação ratificado pela União Europeia. A descisão italiana acontece em meio a crise em Ceuta, um bolsão de jurisdição espanhola no Estreito de Gilbraltar, no Norte da África.
Nesta sexta-feira (31), a Itália restringiu temporariamente a entrada de pessoas com saída da Espanha, suspendendo o acordo de livre circulação ratificado pela União Europeia. Finlândia e Dinamarca apoiaram a descisão italiana.
A descisão italiana acontece em meio a crise em Ceuta, um bolsão de jurisdição espanhola no Estreito de Gilbraltar, no Norte da África.
“A suspensão temporária de Schengen é uma decisão necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras da Europa”, escreveu o ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, no X.
O Ministério do Interior da Itália afirmou que fechou os pontos de entrada por mar e ar com a Espanha. Porém, Tajani reiteirou que a decisão não afetará viagens de espanhóis e outros cidadãos europeus ao país.
Segundo a pasta, os controles serão “específicos” e atingirão apenas cidadãos não europeus que chegarem da Espanha. A medida deve valer por um mês a partir deste sábado (1º).
O que aconteceu em Ceuta?
Nas últimas semanas, mais 60 mil migrantes marroquinos chegaram ao enclave espanhol, o que resultou em uma crise entre Espanha e União Europeia. Madri classificou o episódio como um “ataque” à integridade territorial do país.
De acordo com a Reuters, o governo local afirmou que mais de 50 pessoas morreram tentando chegar ao território espanhol. Desde o início da semana, centenas de migrantes passaram a entrar em Ceuta a nado ou pulando as cercas na fronteira com o Marrocos. A maioria era formada por homens jovens e adolescentes.
A situação se agravou na madrugada de quinta-feira (30), quando o fluxo aumentou em poucas horas e chegou a cerca de 60 mil pessoas. De acordo com o governo espanhol, cerca de 48 mil já retornaram ao Marrocos.

Mapa mostra onde fica Ceuta, cidade autónoma da Espanha situada na margem africana da desembocadura oriental do estreito de Gibraltar | Gerado por IA
+Espanha estima que 49 mil migrantes entraram em Ceuta em 24 horas
Espanha cobra UE
O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que a integridade do Espaço Schengen “está absolutamente garantida”, porque a maioria dos migrantes que entrou em Ceuta retornou ao Marrocos.
“Não é possível trasladar-se de Ceuta e Melilla à Península sem se identificar em um controle policial”, escreveu Albares no X. “Chega de confusão mal-intencionada”, acrescentou.
O Espaço Schengen é uma zona de livre circulação entre 29 dos países europeus – que inclui Portugal, Espanha, França e Alemanha – que reduziu os controles fronteiriços e unificou regras de vistos.
O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou solidariedade à Espanha. O governo francês também anunciou que multiplicará por cinco o efetivo policial na fronteira com o país vizinho.
O chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu uma resposta conjunta da União Europeia. “Não é tempo de dividir, é tempo de seguir construindo uma UE forte e unida”, escreveu no X.
Ao chegar a Ceuta, Sánchez classificou a entrada em massa como um “ataque à integridade territorial” da Espanha e responsabilizou “máfias de traficantes” pelo episódio.
Em Castillejos, cidade marroquina próxima a Ceuta, Abdelhakim contou à AFP que caminhou 14 quilômetros pelas montanhas para tentar chegar ao território espanhol, mas não conseguiu entrar.
“Disseram para passarmos pelo mar. Mas eu me vi completamente submerso e vi dois jovens morrerem diante dos meus olhos”, afirmou. “Então voltei atrás e me lembrei que tenho dois filhos.”
Com informações da AFP
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