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Ucrânia troca ministro da Defesa em meio à crise no governo Zelensky

Yevhenii Khmara assume pasta após antecessor defender eleições e saída de Volodymyr Zelensky da presidência

Homem sentado em sala escura diante de uma mesa de madeira, com as mãos cruzadas, notebook fechado à frente e luminária ao lado, em cena de entrevista com iluminação baixa e clima de tensão.
O ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov defendia a realização de eleições durante a guerra, apesar de o processo ser proibido pela legislação ucraniana (Reprodução/Reuters)

O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta quarta-feira (19) <strong>a nomeação de Yevhenii Khmara como ministro da Defesa</strong>, em meio a turbulência política vivida pelo presidente Volodymyr Zelensky.

O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta quarta-feira (19) a nomeação de Yevhenii Khmara como ministro da Defesa, em meio à turbulência política vivida pelo presidente Volodymyr Zelensky.

Ex-oficial de alto escalão das forças especiais, Khmara assume uma das principais pastas do governo. A ascensão do ministro ocorre após a queda de seu antecessor, Mykhailo Fedorov, destituído depois de defender a realização de eleições. Fedorov foi deposto em 14 de julho.

“Se a guerra continuar por mais um, dois ou três anos, a Rússia poderá efetivamente obter o direito de determinar quando os ucranianos poderão eleger seu governo novamente? Estou convencido de que não. A democracia não pode ser refém da Rússia. Lutamos justamente porque queremos continuar sendo um Estado europeu livre”, afirmou Fedorov em um vídeo no YouTube.

A troca ocorre após semanas de protestos provocados pela demissão de Fedorov, considerado um nome reformista e um dos aliados mais antigos de Zelensky. Segundo a Reuters, nesta quarta-feira (19), moradores de Kiev se reuniram para um protesto após a nomeação de Khmara.

A nomeação também foi aprovada no mesmo dia em que autoridades anticorrupção anunciaram acusações contra um vice-chefe do gabinete de Zelensky, em um suposto esquema de lavagem de dinheiro de US$ 3 milhões.

Zelensky se pronuncia

Após a descisão, Zelensky publicou um vídeo onde definiu as principais tarefas do novo ministro da Defesa. Em seu discurso, o presidente afirmou que a prioridade de Khmara será ajustar o sistema de defesa do país, incluindo produção militar, compras e cadeia de suprimentos para as Forças Armadas.

Segundo o presidente, esse ajuste deve garantir que a Ucrânia tenha os recursos necessários para repelir ataques russos, manter posições na linha de frente, realizar ações próprias e responder aos ataques de Moscou.

“Minha principal tarefa para o ministro da Defesa da Ucrânia nessas circunstâncias é ajustar efetivamente nosso sistema de defesa, nossos sistemas de produção e aquisições, e nossa cadeia de suprimentos para as Forças Armadas”, disse Zelensky.

O presidente também afirmou esperar que o Ministério da Defesa amplie o alcance dos ataques ucranianos em profundidade contra o território russo. Além disso, ele comentou a pasta deve trabalhar junto a fabricantes ucranianos de armas para ampliar a capacidade de defesa do espaço aéreo do país e, em coordenação com parceiros internacionais, fortalecer operações defensivas e ofensivas.

Debate sobre eleições

Na noite de terça-feira (18), Fedorov afirmou que a Ucrânia enfrenta uma crise de governança e defendeu a retomada do processo eleitoral, mesmo com a guerra em andamento.

Pela legislação ucraniana, eleições durante a guerra são proibidas. Uma pesquisa realizada em 5 de agosto pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostrou que 57% dos ucranianos defendem que a votação ocorra apenas após o fim do conflito.

O levantamento considera um cenário em que milhares de soldados permanecem na linha de frente e cidades ucranianas seguem sob ataques de mísseis e drones russos.

“Precisamos encontrar um mecanismo legal, seguro e realista que permita à Ucrânia retomar plenamente seu processo democrático, mesmo em condições de uma guerra prolongada”, disse Fedorov.

O ex-ministro não afirmou se pretende disputar uma eventual eleição. Uma pesquisa recente, no entanto, indicou que ele venceria Zelensky com facilidade em um segundo turno.

O que diz a lei na Ucrânia?

A defesa de eleições em meio à guerra dividiu opiniões no país. Para Lesia Bidochko, pesquisadora do Instituto de Política Europeia, Fedorov adotou uma trajetória populista ao ressaltar riscos e desafios do processo democrático.

Segundo ela, ainda não há um procedimento viável para organizar uma votação, diante do número de ucranianos refugiados no exterior, deslocados internamente ou servindo nas Forças Armadas.

“Por um lado, realizar eleições neste momento não é a melhor ideia. Por outro lado, é como um ultimato sério ao presidente que poderia levá-lo a reconsiderar suas nomeações”, disse Ivan Hnatenko, um dos manifestantes reunidos em frente ao Parlamento antes da votação sobre Khmara.

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Quem é Yevhenii Khmara?

Khmara chegou a atuar brevemente como chefe interino do serviço de segurança da Ucrânia, o SBU. Ele não era a primeira escolha de Zelensky para o Ministério da Defesa e foi nomeado interinamente após o início dos protestos.

Conhecido por participar da estratégia de ataques ucranianos em profundidade contra o território russo, Khmara assume o cargo em um momento de aumento dos ataques com mísseis balísticos russos e de pressão constante na linha de frente.

A instabilidade no Ministério da Defesa também alimenta críticas sobre a falta de continuidade na pasta. Os dois antecessores de Khmara comandaram o ministério por apenas meio ano cada um.

Com informações da Reuters

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