Uma mulher condenada à morte nos Estados Unidos sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal no Tennessee, na noite de quarta-feira (30). Christa Pike, de 50 anos, chegou a receber as substâncias previstas no procedimento, segundo relatos citados por seus advogados, mas permaneceu viva e precisou ser transferida para uma unidade médica fora da prisão.
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todas as execuções previstas para este ano e determinou uma “revisão completa e independente” da tentativa de execução, segundo o jornal Nashville Tennessean. O estado não informou imediatamente o estado de saúde de Pike.
O Departamento Correcional do Tennessee defendeu o procedimento e afirmou ter seguido todas as etapas previstas no protocolo estadual.
“O Departamento Correcional do Tennessee seguiu cada uma das etapas do protocolo de execução legalmente estabelecido pelo estado e aprovado pelo Gabinete do Procurador-Geral”, afirmou o órgão.
Segundo o departamento, a substância utilizada para a injeção letal “tem demonstrado eficácia de forma consistente” e o protocolo não permitia a realização de procedimentos adicionais além daqueles feitos durante a tentativa.
Advogados tentaram interromper execução
Durante o procedimento, os advogados de Pike recorreram a um tribunal federal na tentativa de interromper a execução.
Segundo a NBC News, a defesa citou relatos de testemunhas de que os responsáveis pelo procedimento já haviam administrado as duas seringas com as substâncias da injeção letal, mas Pike continuava viva.
A tentativa de execução ocorreu horas depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar uma suspensão determinada por uma instância inferior, liberando o procedimento. Pike havia pedido clemência ao governador, mas o pedido foi rejeitado na segunda-feira (28).
+ Enquanto Espanha suspende despejos, Portugal busca acelerar expansão imobiliária
A execução despertou atenção pública e enfrentou oposição da defesa e de especialistas em direitos humanos. Entre os argumentos apresentados estavam a idade de Pike quando cometeu o crime, os abusos sexuais sofridos por ela durante a infância e problemas de saúde mental não tratados.
Esta foi a segunda tentativa de execução malsucedida no Tennessee neste ano. Em maio, autoridades penitenciárias interromperam a execução de um homem condenado por assassinatos após não conseguirem encontrar uma veia adequada para administrar a injeção letal.
Crime ocorreu em 1995
Pike foi condenada pela tortura e pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em Knoxville, em 1995.
Pike tinha 18 anos quando ela, o então namorado, Tadaryl Shipp, de 17 anos, e uma terceira pessoa atraíram Slemmer, colega do centro de formação profissional Job Corps, para uma área de mata.
Slemmer foi torturada e morta. A violência do crime ganhou ampla repercussão na imprensa norte-americana na época.
Pike e Shipp confessaram o crime e foram condenados por assassinato em primeiro grau. A mãe de Slemmer, May Martinez, manifestou apoio à execução.
*Com informações da Reuters
Entre na conversa da comunidade