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Cientista belga ganha Nobel da Física por buscar neutrinos no Polo Sul

Francis Halzen criou o Observatório de Neutrinos IceCube e é o primeiro a ganhar sozinho o prêmio desde 1992

Francis Halzen foi o ganhador do Nobel da Física | Foto: Divulgação / National Academy of Sciences
Francis Halzen foi o ganhador do Nobel da Física | Foto: Divulgação / National Academy of Sciences

O cientista belga Francis Halzen ganhou o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas “contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e à descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica”, anunciou nesta terça-feira (6) a Real Academia Sueca de Ciências.

Halzen foi responsável por desenvolver a ideia de usar o gelo do Polo Sul para detectar neutrinos, partículas extremamente difíceis de observar e capazes de carregar informações sobre alguns dos fenômenos mais energéticos do Universo, e criar o Observatório de Neutrinos IceCube.

Durante o anúncio da premiação, Halzen destacou o papel dos pesquisadores que participaram do projeto desde os primeiros anos.

“Espero que isso também reflita sobre as pessoas realmente corajosas que se juntaram a mim no início deste projeto, quando nenhum físico conservador e respeitável teria se juntado a mim. Mas muitas pessoas talentosas fizeram isso, e é por isso que estou aqui”, afirmou.

Professor da Universidade de Winconsin-Madison, nos Estados Unidos, Halzen foi o primeiro cientista desde 1992 a ganhar sozinho o Nobel da Física. Há mais de três décadas o prêmio vinha sendo dividido entre dois ou três pesquisadores.

O Nobel de Física é escolhido pela Real Academia Sueca de Ciências. O prêmio deste ano tem valor total de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão.

O que ele construiu

A proposta de usar o gelo do Polo Sul para observar neutrinos foi apresentada por ele em 1988 e deu origem ao Observatório de Neutrinos IceCube, uma estrutura que utiliza um quilômetro cúbico de gelo equipado com sensores de luz.

Quando um neutrino colide com o núcleo de um átomo, produz um pequeno clarão que pode ser identificado pelos sensores instalados no gelo. Segundo o Nobel, o Polo Sul oferece condições favoráveis para esse tipo de observação por ter pouca interferência externa e estabilidade geológica.

O IceCube foi concluído em 2011. Pouco depois, pesquisadores identificaram os primeiros neutrinos de alta energia e, anos mais tarde, conseguiram demonstrar a existência de partículas desse tipo originadas muito além do Sistema Solar.

Cientistas sabem há décadas que o Universo possui aceleradores naturais de partículas capazes de produzir energias até um milhão de vezes maiores do que as alcançadas em laboratórios na Terra. A origem e o funcionamento de parte desses fenômenos, porém, ainda permanecem pouco conhecidos.

Os neutrinos de altíssima energia são produzidos nesses ambientes. Diferentemente de outras partículas, conseguem percorrer enormes distâncias sem mudar de direção ou perder energia, o que permite aos pesquisadores rastrear informações sobre sua origem.

Como essas partículas são muito raras, é necessário observar um volume enorme de material para aumentar as chances de detectar suas interações. Por isso, o IceCube ocupa cerca de um quilômetro cúbico de gelo.

Segundo o Nobel, as interações registradas continuamente pelo observatório poderão ampliar o conhecimento sobre os ambientes extremos onde esses neutrinos são produzidos e até ajudar na descoberta de fenômenos cósmicos ainda desconhecidos.

*com informações da Reuters

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