O cientista belga Francis Halzen ganhou o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas “contribuições decisivas ao Observatório de Neutrinos IceCube e à descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica”, anunciou nesta terça-feira (6) a Real Academia Sueca de Ciências.
Halzen foi responsável por desenvolver a ideia de usar o gelo do Polo Sul para detectar neutrinos, partículas extremamente difíceis de observar e capazes de carregar informações sobre alguns dos fenômenos mais energéticos do Universo, e criar o Observatório de Neutrinos IceCube.
Durante o anúncio da premiação, Halzen destacou o papel dos pesquisadores que participaram do projeto desde os primeiros anos.
“Espero que isso também reflita sobre as pessoas realmente corajosas que se juntaram a mim no início deste projeto, quando nenhum físico conservador e respeitável teria se juntado a mim. Mas muitas pessoas talentosas fizeram isso, e é por isso que estou aqui”, afirmou.
Professor da Universidade de Winconsin-Madison, nos Estados Unidos, Halzen foi o primeiro cientista desde 1992 a ganhar sozinho o Nobel da Física. Há mais de três décadas o prêmio vinha sendo dividido entre dois ou três pesquisadores.
O Nobel de Física é escolhido pela Real Academia Sueca de Ciências. O prêmio deste ano tem valor total de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão.
BREAKING NEWS
The Royal Swedish Academy of Sciences has decided to award the 2026 #NobelPrize in Physics to Francis Halzen “for decisive contributions to the IceCube Neutrino Observatory and the discovery of high-energy neutrinos of astrophysical origin.” https://t.co/UcPBWk0RiK— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 6, 2026
O que ele construiu
A proposta de usar o gelo do Polo Sul para observar neutrinos foi apresentada por ele em 1988 e deu origem ao Observatório de Neutrinos IceCube, uma estrutura que utiliza um quilômetro cúbico de gelo equipado com sensores de luz.
Quando um neutrino colide com o núcleo de um átomo, produz um pequeno clarão que pode ser identificado pelos sensores instalados no gelo. Segundo o Nobel, o Polo Sul oferece condições favoráveis para esse tipo de observação por ter pouca interferência externa e estabilidade geológica.
O IceCube foi concluído em 2011. Pouco depois, pesquisadores identificaram os primeiros neutrinos de alta energia e, anos mais tarde, conseguiram demonstrar a existência de partículas desse tipo originadas muito além do Sistema Solar.
Cosmic neutrinos with extremely high energies are very rare, so an enormous volume of ice is needed to observe an adequate number of collisions. The IceCube Neutrino Observatory covers an entire cubic kilometre and was finished in 2011. Researchers soon discovered the first high-energy neutrinos and, a few years later, could publish their discovery of neutrinos that must originate far outside our solar system. The search for the universe’s neutrino sources could begin in earnest.
Francis Halzen has received the 2026 #NobelPrize in Physics for his decisive contributions to the IceCube Neutrino Observatory and the discovery of high-energy neutrinos of astrophysical origin.
— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 6, 2026
Cientistas sabem há décadas que o Universo possui aceleradores naturais de partículas capazes de produzir energias até um milhão de vezes maiores do que as alcançadas em laboratórios na Terra. A origem e o funcionamento de parte desses fenômenos, porém, ainda permanecem pouco conhecidos.
Os neutrinos de altíssima energia são produzidos nesses ambientes. Diferentemente de outras partículas, conseguem percorrer enormes distâncias sem mudar de direção ou perder energia, o que permite aos pesquisadores rastrear informações sobre sua origem.
Como essas partículas são muito raras, é necessário observar um volume enorme de material para aumentar as chances de detectar suas interações. Por isso, o IceCube ocupa cerca de um quilômetro cúbico de gelo.
Segundo o Nobel, as interações registradas continuamente pelo observatório poderão ampliar o conhecimento sobre os ambientes extremos onde esses neutrinos são produzidos e até ajudar na descoberta de fenômenos cósmicos ainda desconhecidos.
*com informações da Reuters
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