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Bloqueio do Estreito de Ormuz já afeta colheitas, alerta agência da ONU

Interrupção no transporte de fertilizantes e alta dos custos de combustível podem elevar os preços dos alimentos e provocar uma crise de segurança alimentar

Contratorpedeiro da Marinha dos Estados Unidos navega no Estreito de Ormuz em dia nublado, com helicóptero sobrevoando a embarcação e montanhas visíveis ao fundo
Navio de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz, rota que chegava a receber 125 embarcações comerciais por dia antes do conflito (Crédito: Reprodução/U.S. Central Command)

A interrupção do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz já começa a afetar as colheitas agrícolas e ameaça reduzir a produtividade no campo e elevar os preços dos alimentos. O alerta foi feito nesta quinta-feira (15) pelo presidente do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), Álvaro Lario.

Segundo Lario, as restrições ao transporte de fertilizantes pelo estreito, somadas à alta dos custos de combustível e frete, estão pressionando toda a cadeia de abastecimento alimentar. A situação é agravada pelo fenômeno El Niño e pelas interrupções no fornecimento de trigo da região do Mar Negro.

Os estoques de fertilizantes e combustíveis inicialmente amenizaram os impactos do bloqueio. No entanto, a prolongada incerteza levou agricultores a reduzir o uso de fertilizantes e a adotar maior cautela no plantio. O aumento dos preços dos combustíveis também encarece a colheita mecanizada.

De acordo com o presidente da agência, os preços das commodities agrícolas subiram 13% no terceiro trimestre, com previsão de novos aumentos no último trimestre deste ano e nos primeiros três meses de 2027.

Risco de crise alimentar

Os países que dependem da importação de fertilizantes, combustíveis e alimentos estão entre os mais vulneráveis. Lario destacou a dependência energética do Sudeste Asiático e a necessidade de importações de alimentos pelos países do Golfo Pérsico.

O Irã tem buscado ampliar seu controle sobre o Estreito de Ormuz como forma de pressionar os Estados Unidos, que mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos.

Segundo uma autoridade ouvida pela Reuters na quarta-feira (14), a ausência de um acordo entre Estados Unidos e Irã nas próximas semanas para viabilizar o transporte de fertilizantes pelo estreito, conforme proposta apoiada pela ONU, pode provocar uma crise de segurança alimentar em regiões da Ásia e da África.

Lario também alertou que a incerteza pode levar pequenos agricultores a abandonar culturas de maior valor comercial, que demoram mais para gerar retorno financeiro, e optar por plantações com receitas mais rápidas.

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