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Protestos contra custo de vida mobilizam milhares na França e têm confrontos

Manifestações reuniram 800 mil pessoas, segundo sindicato, e registraram episódios de violência, com incêndios, saques e prisões

Manifestantes marcham durante um protesto contra o "alto custo de vida", em Paris, em 17 de outubro de 2026,
Manifestantes marcham durante um protesto contra o "alto custo de vida", em Paris, em 17 de outubro de 2026. (Foto: Geoffroy Van Der Hasselt/AFP)

Protestos contra o aumento do custo de vida mobilizaram milhares de pessoas em diversas cidades da França neste sábado (17). Segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), cerca de 800 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país.

Os atos foram convocados pelo movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou força em 2018 com protestos contra o governo do presidente Emmanuel Macron, inicialmente motivados pelo aumento dos impostos sobre combustíveis. Desta vez, a mobilização também reuniu estudantes, ativistas ambientais e agricultores.

A principal reivindicação dos manifestantes é a adoção de medidas para enfrentar o aumento do custo de vida, agravado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação. Os atos também expressam insatisfação com o governo francês e ocorrem após semanas de mobilizações estudantis, a seis meses das eleições presidenciais de 2027.

Em Paris, dezenas de milhares de pessoas participaram de uma marcha pelas regiões leste e norte da capital. Durante o percurso, manifestantes criticaram a atuação policial e pediram a renúncia de Macron.

Confrontos com a polícia

A mobilização também foi marcada por confrontos entre grupos de manifestantes e policiais. As forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo e canhões de água contra pessoas que lançavam objetos e fogos de artifício. Veículos foram incendiados e mais de 270 pessoas foram presas.

Na cidade de Saint-Étienne, no sul do país, um manifestante perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada utilizada pela polícia para controlar multidões, segundo uma fonte policial ouvida pela agência AFP.

A líder da extrema-direita Marine Le Pen condenou os episódios de violência e acusou a extrema-esquerda de se apropriar das manifestações. Já o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon criticou a cobertura da imprensa, afirmando que as emissoras de televisão davam destaque excessivo aos confrontos.

Manifestantes incendeiam posto de turismo em Lyon

Na cidade de Lyon, no sudeste da França, manifestantes incendiaram um posto de informações turísticas durante os protestos deste sábado. O ataque ocorreu em uma praça central, onde grupos de jovens encapuzados lançavam objetos e rojões contra policiais, segundo jornalistas da AFP.

As forças de segurança reagiram com gás lacrimogêneo, granadas de dispersão e um canhão de água para conter os manifestantes.

Também foram registrados ataques a prédios públicos em Marselha e Lille, onde grupos invadiram e depredaram sedes de prefeituras.

Dezenas de estabelecimentos comerciais foram saqueados, incluindo uma loja da Hermès em Marselha, uma unidade da Apple em Lille e lojas em Nice e Paris.

Apesar dos episódios de violência, a maior parte das manifestações ocorreu de forma pacífica, reunindo pessoas de diferentes idades, incluindo famílias com crianças.

Posto de informações turísticas é tomado pelas chamas após ser incendiado por manifestantes durante protestos contra o custo de vida em Lyon, na França, neste sábado (17)

Posto de informações turísticas é tomado pelas chamas após ser incendiado por manifestantes durante protestos contra o custo de vida em Lyon, na França. (Foto: Jeff Pachoud/AFP)

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