Uma falha de comunicação entre computadores do sistema ferroviário e uma decisão equivocada da central de controle estão entre as possíveis causas do acidente que deixou ao menos 68 mortos nesta quarta-feira (28), perto da estação de Urda, na província de Toledo, na Espanha. As informações foram apresentadas pelo ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, que classificou o ocorrido como “inexplicável”.
Segundo o ministro, por volta das 8h30 no horário local (4h30 de Brasília), uma falha de comunicação entre três computadores interrompeu o funcionamento do sistema de segurança ferroviária em um trecho de 63 quilômetros. Com isso, seis trens que circulavam pela região pararam automaticamente, incluindo as duas composições envolvidas no acidente.
Após a interrupção, a central de controle da empresa pública Adif, em Madri, assumiu o comando das operações. De acordo com Puente, o trem de alta velocidade da Renfe recebeu autorização para retomar a viagem em velocidade normal, apesar de um sinal vermelho que impedia a circulação. O trem da Iryo, porém, continuava parado nos trilhos.
O ministro afirmou que a composição da Renfe percorreu cerca de 25 quilômetros antes de atingir a traseira do trem da Iryo, por volta das 8h53 locais (4h53 de Brasília). A colisão provocou o descarrilamento e destruiu parte dos vagões.
“A decisão de reiniciar a viagem do trem não foi tomada como deveria, em um ritmo que permitisse a sua parada. Um sinal vermelho estava em vigor, proibindo qualquer movimento adicional. Apesar disso, o trem da Renfe recebeu ordem para retomar sua viagem e prosseguiu até a colisão”, declarou Puente. “Retomar o serviço sem resolver o problema é responsabilidade da central de controle. É uma decisão tomada em circunstâncias inexplicáveis”, completou.
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Número de vítimas fatais
O acidente deixou pelo menos 68 mortos, segundo as autoridades regionais de Castilla-La Mancha. Na atualização divulgada na tarde de quarta-feira, 53 pessoas continuavam hospitalizadas, enquanto outras 56 já haviam recebido alta. As equipes de resgate ainda trabalhavam na retirada dos vagões mais danificados e na busca por vítimas.
Segundo o governo, no momento do acidente, o trem da Renfe tinha 397 pessoas a bordo, enquanto o trem da Iryo estava com 147 passageiros. Em nota, a Iryo expressou “profundo pesar pelo acidente” e disse que está colaborando com as autoridades “para esclarecer as causas e gerenciar a situação da forma mais eficaz possível”.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a investigação será completa e que eventuais negligências serão esclarecidas. O governo também decretou três dias de luto oficial, entre quinta-feira (29) e sábado (31).
A investigação conta com a atuação da Guarda Civil e da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF). As autoridades ainda precisam esclarecer as circunstâncias da falha no sistema e as decisões tomadas pela central de controle antes da colisão.
O acidente em Toledo ocorre nove meses após outra tragédia ferroviária em Adamuz, na província de Córdoba, em janeiro. Na ocasião, uma colisão envolvendo trens de alta velocidade deixou 46 mortos. “É inaceitável que um país como a Espanha sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano”, disse Sánchez.
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