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De salão de baile a arco do triunfo: veja obras de Trump que transformam Washington

Presidente norte-americano promove reformas em monumentos e edifícios históricos, mas projetos enfrentam críticas, ações judiciais e questionamentos sobre custos

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Foto: Divulgação/White House)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está transformando Washington com uma série de obras e mudanças em monumentos, edifícios históricos e espaços públicos.

Os projetos refletem sua visão da grandeza americana, mas enfrentam críticas e disputas judiciais. Opositores acusam o republicano de ultrapassar os limites de sua autoridade.

Veja os principais projetos promovidos pelo presidente americano e as controvérsias que os cercam.

Espelho d’água do Lincoln Memorial

Em abril, Trump anunciou a reforma do histórico espelho d’água do Lincoln Memorial, próximo ao local onde Martin Luther King Jr. proferiu o discurso “Eu Tenho um Sonho”, em 1963. O presidente estimou inicialmente o custo da obra em até US$ 2 milhões.

O governo, porém, gastou mais de US$ 16 milhões na reforma da estrutura, de 610 metros de comprimento. Empresas contratadas sem licitação competitiva trabalharam para concluir o projeto antes do feriado da Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho.

Trump declarou a obra concluída em junho, mas, pouco depois, a pintura começou a descascar e a água ficou esverdeada devido à proliferação de algas.

O presidente e integrantes do governo atribuíram os problemas a atos de vandalismo, sem apresentar provas. Um ex-atleta olímpico americano, David Hearn, chegou a ser acusado de danificar a estrutura, mas negou as acusações.

Em documentos apresentados à Justiça, procuradores federais atribuíram os danos a falhas na execução da reforma, e não a atos de vandalismo. Em outubro, um juiz rejeitou as acusações contra Hearn e impediu que fossem reapresentadas.

Salão de baile da Casa Branca

Trump pretende construir um salão de baile de aproximadamente 8.360 metros quadrados na Casa Branca, com capacidade para 1.000 convidados. Segundo o presidente, será o maior espaço desse tipo já construído.

Inicialmente, Trump afirmou que financiaria a obra, estimada em US$ 400 milhões, com recursos próprios e de doadores privados. Posteriormente, senadores republicanos tentaram, sem sucesso, obter US$ 1 bilhão do Congresso para financiar estruturas subterrâneas e sistemas de segurança.

O projeto inclui abrigos antibombas, instalações médicas e sistemas de defesa contra drones e mísseis. O governo passou a justificar a construção como uma necessidade de segurança nacional.

A obra, porém, provocou críticas de especialistas em preservação histórica e opositores, principalmente pela demolição da Ala Leste da Casa Branca, onde funcionavam os escritórios da primeira-dama e o cinema da residência presidencial.

Em agosto, a Suprema Corte autorizou a continuidade da construção por cinco votos a quatro, enquanto prossegue a disputa judicial. Em voto divergente, o presidente da Corte, John Roberts, considerou o projeto “provavelmente ilegal”.

Kennedy Center

O Kennedy Center, centro de artes cênicas criado pelo Congresso em homenagem ao ex-presidente John F. Kennedy, também passou por mudanças desde o retorno de Trump à Casa Branca, em 2025.

O republicano substituiu a direção da instituição, alterou sua programação e nomeou um conselho que decidiu acrescentar seu nome ao edifício. Trump justificou a iniciativa por sua atuação na arrecadação de recursos para reformas.

Em maio, uma decisão judicial determinou a retirada do nome do presidente. O conselho tentou reverter a medida, mas uma nova proposta foi rejeitada pela Justiça em setembro.

No mesmo mês, a direção anunciou o fechamento do centro por até dois anos, para uma reforma estimada em pelo menos US$ 257 milhões.

Trump não descartou uma possível demolição do edifício, e a disputa judicial continua. A cerimônia anual do Kennedy Center Honors, prevista para dezembro, será realizada na Capital One Arena, em Washington.

Outras instituições culturais também foram alvo de intervenções do governo, incluindo os museus Smithsonian. Em julho, Trump determinou a instalação de placas para corrigir o que classificou como informações históricas imprecisas no Museu Nacional de História Americana.

Jardins da Casa Branca

Trump também promoveu mudanças na decoração e nos espaços externos da Casa Branca.

No Salão Oval, instalou detalhes e esculturas douradas, retratos de personalidades americanas e uma cópia da Declaração de Independência.

Do lado de fora, substituiu o gramado do Jardim das Rosas por um pátio de pedra branca com mesas e guarda-sóis, em estilo semelhante ao de seu clube Mar-a-Lago, na Flórida.

O presidente também instalou estátuas de figuras históricas, como Alexander Hamilton e Benjamin Franklin, e substituiu por granito preto um caminho de pedras que existia havia 60 anos junto à Ala Oeste.

Na colunata, foram colocados retratos de ex-presidentes americanos acompanhados de placas com opiniões de Trump sobre cada um deles. Joe Biden, que derrotou o republicano nas eleições de 2020, não recebeu um retrato.

Outras intervenções incluem a construção de um heliporto de granito no gramado sul e reformas na Lafayette Square, praça pública em frente à Casa Branca que permaneceu praticamente fechada ao público em 2026.

Arco do Triunfo

Trump também planeja construir um arco triunfal próximo à entrada do Cemitério Nacional de Arlington, do outro lado do Rio Potomac, em frente ao Lincoln Memorial.

Inspirado no Arco do Triunfo de Paris, o monumento teria aproximadamente 76 metros de altura, com esculturas de águias e uma figura semelhante à Estátua da Liberdade no topo.

O presidente afirmou que a estrutura também poderia funcionar como um complexo militar, com instalações para drones e atiradores de elite.

O projeto enfrenta uma ação judicial apresentada por veteranos militares, que alegam que a construção prejudicaria a vista histórica entre o Lincoln Memorial e o Cemitério de Arlington.

Apesar da disputa, as obras podem começar ainda em novembro.

Campo de golfe East Potomac

Outro projeto envolve a reforma do East Potomac Golf Links, campo de golfe público centenário de Washington.

Trump, que possui diversos campos de golfe, afirma que pretende modernizar o espaço para que volte a receber grandes torneios.

A iniciativa também enfrenta contestações judiciais de grupos que alegam violação das leis de proteção do parque público onde o campo está localizado.

Em junho, 61 parlamentares democratas manifestaram preocupação com o depósito de mais de 26,8 mil metros cúbicos de entulho proveniente da demolição da antiga Ala Leste da Casa Branca no local.

Um relatório técnico identificou metais tóxicos e outros contaminantes nos destroços. O Departamento do Interior, responsável pela supervisão do Serviço Nacional de Parques, afirmou que o projeto cumpriu todas as exigências legais.

Jardim Nacional dos Heróis Americanos

Trump também pretende construir o Jardim Nacional dos Heróis Americanos, projeto anunciado ainda durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021.

O Congresso destinou US$ 40 milhões à iniciativa em 2025, e o presidente escolheu o West Potomac Park, às margens do Rio Potomac, para receber o monumento.

O espaço deverá reunir estátuas dos fundadores dos Estados Unidos, militares, líderes religiosos, defensores dos direitos civis, atletas e artistas.

A inauguração estava inicialmente prevista para 4 de julho de 2026, quando os Estados Unidos comemoraram 250 anos de independência, mas foi adiada. Organizações de preservação histórica recorreram à Justiça para tentar impedir a obra.

Presença militar nas ruas de Washington

Além das obras, Trump também alterou a rotina da capital americana ao enviar milhares de integrantes da Guarda Nacional para patrulhar a cidade.

A medida faz parte da estratégia de segurança pública do presidente, que afirma querer combater a criminalidade, especialmente em cidades administradas por democratas.

Soldados armados passaram a circular por áreas turísticas, monumentos, estações de metrô e outros pontos movimentados da capital.

No entanto, uma análise da Reuters publicada em agosto apontou que os militares foram mencionados em apenas 1,3% dos processos criminais registrados no Tribunal Superior do Distrito de Columbia durante o primeiro ano da operação.

Em dezenas desses casos, os soldados apareciam como vítimas de crimes, e não como responsáveis pelas prisões.

Segundo dados da polícia local, a criminalidade geral caiu 18% em 2025 e outros 11% no período de 12 meses encerrado em 2 de novembro de 2026. Os crimes violentos, porém, aumentaram 12% em 2026.

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