Uma pesquisa mundial divulgada nesta terça-feira (3) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência da ONU, mostra que a desigualdade entre homens e mulheres continua forte no mercado de trabalho. Na gestão empresarial, elas ainda ocupam menos de um terço dos cargos.
Essa participação cresceu lentamente, partindo de cerca de 24% há três décadas, apesar dos avanços significativos na educação das mulheres, afirmou Jae-Hee Chang, especialista sênior em relações da OIT, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
“Houve progresso. Há um forte argumento comercial, mas o considerável potencial (das mulheres) continua subutilizado”, disse ela.
O levantamento também mostrou avanços nos postos mais altos das empresas. Em 2025, 28,2% das companhias pesquisadas tinham uma mulher como principal executiva (CEO), contra 23,4% em 2013. A proporção de empresas com mulheres na presidência dos conselhos de administração também cresceu, passando de 13,1% para 30,9%.
Segundo um relatório da ONU sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, se o ritmo atual de crescimento for mantido, serão necessários mais de 50 anos para alcançar a igualdade entre homens e mulheres nos cargos de gestão. Atualmente, as mulheres representam cerca de 40% das pessoas empregadas no mundo.
O relatório descreveu um “desequilíbrio crítico” e indicou que há sinais de que a implementação de programas de apoio às mulheres, como a licença-maternidade, que se mostrou eficaz, estava diminuindo.
Segundo a OIT, a proporção média de empresas que adotam medidas de igualdade de gênero e diversidade caiu de 37,4% em 2018 para 26,5% em 2025.
Na pesquisa mais recente, 68,5% das empresas afirmaram ter obtido resultados positivos com essas iniciativas. Entre aquelas que relacionaram o aumento dos lucros a programas de promoção de mulheres na gestão, 87,4% registraram ganhos de pelo menos 5%.
O relatório instou as empresas a adotarem medidas para eliminar as barreiras estruturais à progressão na carreira e afirmou que outros fatores, como a distribuição desigual das responsabilidades com os cuidados fora do local de trabalho, também precisavam ser analisados.
(Com informações da Reuters)
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