- Casal britânico lançou a primeira empresa de produção off‑grid no Reino Unido, usando energia solar e baterias recicladas para reduzir impacto ambiental.
- O empreendimento, próximo a Masham, north yorkshire, foi criado em maio de 2020; a pandemia exigiu elevar sistemas de energia para acompanhar pós-produção realizada remotamente.
- Foram instalados dezoito painéis solares e 126 baterias de Nissan Leaf, com capacidade de 98 kilowatts-hora, custando cerca de £ 11,5 mil.
- Além de reduzir consumo de energia, a empresa realiza plantio de árvores e busca manter produções locais para diminuir viagens e emissões.
- A indústria de TV e cinema, apoiada pela Bafta e a organização Albert, se compromete a abandonar geradores a combustíveis fósseis até 2030, permitindo maior uso de energia limpa e transporte sustentável.
O que aconteceu, quem está envolvido, quando e onde: Emily e Tom, um casal de produtores de TV, fundaram em maio de 2020 uma empresa no norte de Yorkshire, perto de Masham, na Inglaterra. A pretensão é tornar a produção audiovisual mais sustentável. A empresa afirma ser a primeira do Reino Unido a operar off-grid em água, resíduos e energia.
Segundo dados da organização de sustentabilidade albert, ligada à Bafta, a produção de um longa-metragem em média gera milhares de toneladas de CO2 com deslocamentos, energia, têxteis, alimentação e resíduos. A dupla pretende enfrentar esse cenário com uma abordagem própria.
Como funciona: a produção funciona sem ligação à rede para água, resíduos e agora energia. O casal já atuou em séries como The Greatest Show Never Made e The Fake Sheikh, além do filme Agatha and the Truth of Murder. O objetivo é reduzir impactos ambientais desde o planejamento.
A decisão de usar energia solar foi tomada após avaliar ventos e turbulência do local. Instalou 18 painéis solares e 126 baterias recicladas de Nissan Leaf, totalizando 98 kWh de capacidade. O investimento ficou em cerca de £11.500.
A configuração permite enfrentar falhas de energia típicas da região montanhosa de Yorkshire. Em paralelo, a produção aposta em reduzir contas de energia e manter atividades de pós-produção dentro da própria empresa.
Na prática, a pós-produção — edição, colorização e mixagem de som — foi trazida para dentro da sede, eliminando deslocamentos. Assim, a equipe não precisa se deslocar diariamente para instalações externas.
Além da energia, a empresa foca em atividades de reflorestamento. Identificam áreas degradadas para árvores novas, atuando para recompor ecossistemas locais.
Tom ressalta que o empreendimento não busca lucro imediato com reflorestamento, mas contribuir para uma indústria de audiovisual menos desperdiçadora. O foco é ter impacto real.
Paralelamente, há um movimento maior no setor para migrar para energia limpa. Grandes empresas de TV e cinema trabalham para abandonar geradores a combustíveis fósseis até 2030, em parceria com a Bafta albert.
Dados de 2024 indicam que produções britânicas consumiram mais de 3 milhões de litros de combustível fóssil em geradores, e mais da metade das produções dependiam quase totalmente de combustíveis fósseis. O compromisso é reduzir esse peso.
A chefe de sustentabilidade da indústria na albert afirma que a crise climática exige ação rápida e que o setor tem responsabilidade e oportunidade de liderar. Entre as medidas estão reduzir viagens e trocar trajetos rodoviários por trens, além de eletrificar deslocamentos.
Um porta-voz destacou que viagens e transporte representam 65% da pegada de carbono de produções britânicas em 2024. A experiência de Factual Fiction, que migrou para energia solar, é citada como exemplo de impacto positivo.
Emily aponta que a mudança para produção interna eliminou a necessidade de viagens diárias a instalações de pós-produção em Leeds, registrando redução de deslocamentos. A equipe pode trabalhar com editores em Bristol, Leeds e Wakefield sem sair de carro.
Tom aponta que produzir localmente também favorece a criação de empregos na região e aumenta a diversidade interna e externa, ao ampliar a representatividade. O desafio persiste: muitas decisões ainda são tomadas em Londres.
Os produtores pretendem avançar para criar material original alinhado à filosofia sustentável. O objetivo é oferecer serviços de pós-produção sustentáveis e atrair interessados. O próximo ano será decisivo para o modelo.
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