- Em 2025, foram aprovados para desmatamento mais de 57 mil hectares de habitat de espécies ameaçadas, o maior volume em quinze anos.
- 98% da área prevista para derrubada ocorreu em Western Australia, Queensland e New South Wales, com a mineração respondendo por dois terços do total.
- A espécie mais impactada foi o northern quoll, com 7.643 hectares aprovados para destruição.
- O relatório aponta a adição de 42 plantas e animais à lista de espécies em extinção.
- A divulgação destaca reformas na legislação ambiental e a criação de uma Agência de Proteção Ambiental, com promessas de maior proteção, fiscalização e responsabilização.
Mais de 57 mil hectares de habitat de espécies ameaçadas foram autorizados para destruição pelo governo australiano em 2025, atingindo o maior nível em 15 anos, aponta a análise da Australian Conservation Foundation (ACF). O dado indica que a área aprovada para desmatamento é cerca de 10 vezes o tamanho do Porto de Sydney e mais de cinco vezes a de 2023.
O relatório anual da ACF, intitulado Extinction Wrapped, revela ainda que 42 novas espécies passaram para a lista de extinção ou risco elevado no país. Entre as áreas impactadas, a maior parte das queimadas corresponde à mineração, respondendo por dois terços da área desmatada.
A região de Pilbara, em Western Australia, foi a mais afetada, com cinco espécies entre as mais impactadas. Entre elas estão o quati-do-norte, o papagaio-rapina noturno, o morcego fantasma e duas espécies de cobras. O quoll do norte sofreu o maior impacto, com 7.643 hectares destinados à destruição.
No total, 98% das aberturas para desmatamento de habitat de espécies ameaçadas ocorreram em Western Australia, Queensland e New South Wales. O ex-líder do Green Party, Adam Bandt, que fica à frente da ACF, classificou o ritmo de crescimento como alarmante.
Mudanças legais e impactos
O governo federal aprovou reformas à legislação ambiental em novembro, incluindo a criação de uma agência de proteção ambiental e ajustes na EPBC Act. Segundo a Análise, as mudanças visam exigir ganho líquido para a natureza em novos projetos, aumentando proteções para espécies ameaçadas e seus habitats.
O gabinete do governo Albanese informou que as reformas reforçam proteção ambiental, com maior responsabilidade e transparência nos processos de aprovação de projetos. A medida também prevê avaliação de parte da expansão agrícola e de desmatamentos próximos a áreas sensíveis, como os cursos d água nas campanhas do Grande Recife de Coral.
Para Bandt, as reformas podem oferecer alguma proteção à natureza, desde que a aplicação e a alocação de recursos sejam fortes. Ele destacou que o papel da futura agência será decisivo para monitorar o cumprimento das regras.
O estudo da ACF também aponta que alguns projetos de mineração no norte do país continuam a representar impactos significativos para espécies em risco, mesmo com o aperfeiçoamento regulatório em andamento. As autoridades enfatizam que as mudanças legais já estão em vigor ou em implementação nos próximos meses.
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