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Prévia do PIB do Banco Central indica retração de 0,9% no 3º trimestre, pior do que o esperado

Alta dos juros, desaceleração da agropecuária e menor ritmo do consumo indicam esfriamento da economia; especialistas veem alívio gradual só a partir de 2026.

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  • A economia brasileira caiu 0,9% no terceiro trimestre de 2025, conforme dados do Banco Central (BC) divulgados em 17 de outubro.
  • Essa queda interrompeu um crescimento de dois anos e reflete a desaceleração econômica em meio a juros altos e crédito restrito.
  • Todos os setores da economia apresentaram retração: a agropecuária caiu 4,5%, a indústria recuou 1% e os serviços diminuíram 0,3%.
  • A taxa Selic permanece em 15% ao ano, o maior patamar em 20 anos, dificultando o consumo e os investimentos.
  • O resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) será divulgado em 4 de dezembro e pode confirmar a primeira retração trimestral em dois anos.

A economia brasileira registrou queda de 0,9% no terceiro trimestre de 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (17) pelo Banco Central (BC). O resultado, calculado pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB) veio após ajuste sazonal e interrompeu uma sequência de crescimento que já durava dois anos.

O desempenho reforça a percepção de desaceleração da economia nacional, em um contexto de juros altos, crédito restrito e perda de fôlego da produção agropecuária, que vinha sendo um dos motores do crescimento em trimestres anteriores.

O último recuo havia sido registrado no terceiro trimestre de 2023, quando a atividade caiu 0,5%. Desde então, a economia vinha crescendo de forma moderada, sustentada sobretudo pelo setor de serviços e pela retomada do emprego.

Queda atinge todos os setores: agropecuária lidera retração

Os dados do BC mostram que os três grandes setores da economia registraram retração entre julho e setembro. A agropecuária teve a maior queda, de 4,5%, refletindo condições climáticas adversas, colheitas menores e preços menos favoráveis no mercado internacional.

A indústria recuou 1%, impactada pelo encarecimento do crédito e pela redução na demanda interna. O setor de serviços, que havia sido o principal motor do PIB nos últimos trimestres, também desacelerou e registrou queda de 0,3%.

Para analistas, o movimento é resultado direto da política monetária restritiva, que busca conter o consumo e o investimento, mas acaba afetando a produção em diversos segmentos.

Selic no maior patamar em 20 anos freia crédito e consumo

A taxa básica de juros (Selic) segue em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Essa taxa elevada encarece empréstimos, desestimula o consumo de bens duráveis e reduz o apetite de empresas por novos investimentos.

O Banco Central tem mantido a Selic alta para tentar garantir o controle da inflação, que ainda se encontra acima da meta oficial de 3% ao ano. Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a instituição reconheceu que o chamado “hiato do produto” diferença entre o PIB efetivo e o PIB potencial — permanece positivo, ou seja, a economia ainda opera acima do nível considerado sustentável sem gerar inflação.

Apesar disso, o custo do dinheiro elevado tende a esfriar a economia nos próximos meses. O mercado financeiro projeta o início do ciclo de cortes de juros apenas em janeiro de 2026, com reduções graduais ao longo do próximo ano.

Desaceleração: remédio necessário, mas de efeito colateral alto

A queda do IBC-Br era parcialmente esperada. O Banco Central tem buscado reduzir o ritmo da atividade econômica como forma de conter as pressões de preços. Essa estratégia conhecida como “aterrissagem suave” tenta equilibrar a inflação sem provocar uma recessão profunda.

No entanto, o cenário atual gera preocupação. A queda simultânea de todos os setores e a persistência dos juros altos podem prolongar o ciclo de estagnação. Economistas alertam que a recuperação do investimento e do emprego pode demorar, caso o consumo das famílias siga pressionado pelo endividamento e pela perda de renda real.

Segundo projeções de consultorias, o PIB de 2025 deve crescer entre 1,2% e 1,5%, ritmo considerado modesto diante do potencial brasileiro.

Setembro confirma perda de fôlego da economia

Em setembro, o IBC-Br teve uma queda mensal de 0,2% em relação a agosto, quando havia subido 0,4%. No comparativo com setembro de 2024, houve alta de 2%, sem ajuste sazonal.

Nos nove primeiros meses de 2025, a economia acumulou crescimento de 2,6% e, no período de 12 meses até setembro, avanço de 3%. Apesar desses números positivos, o movimento recente indica que a trajetória de desaceleração está se consolidando.

O resultado oficial do PIB do terceiro trimestre, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em 4 de dezembro. Caso confirme a estimativa do Banco Central, o Brasil terá vivido a primeira retração trimestral em dois anos.

Contexto global: crescimento desigual e desafios internacionais

O esfriamento da economia brasileira ocorre em um momento de desaceleração global. Países desenvolvidos, como Estados Unidos e Alemanha, também enfrentam o impacto de juros altos e inflação persistente.

Enquanto isso, China e Índia seguem como principais motores do crescimento mundial, mas em ritmos distintos. A China tenta se reequilibrar após anos de expansão baseada em infraestrutura e exportações, e a Índia emerge como um novo polo de inovação e tecnologia.

Nesse cenário, o Brasil enfrenta o desafio de manter competitividade e atrair investimentos externos, equilibrando o ajuste monetário com políticas de estímulo à produção e inovação.

As maiores economias do mundo, segundo o PIB

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), as maiores economias do mundo em 2025 continuam concentradas em países industrializados e grandes emergentes. Veja o ranking atualizado e o perfil de cada nação:

• Estados Unidos: líder mundial, com forte base tecnológica, setor financeiro robusto e um mercado consumidor bilionário. As políticas monetárias e fiscais do país influenciam toda a economia global.

• China: segunda maior economia, sustentada por exportações, indústria pesada e investimentos em infraestrutura. Nos últimos anos, tem priorizado inovação e consumo doméstico.

• Alemanha: principal potência europeia, com foco em engenharia, automóveis e maquinário. Exportações são o pilar do crescimento.

• Japão: referência em tecnologia e manufatura avançada. A economia é apoiada por uma política monetária de estímulo e alta produtividade.

• Índia: em rápido crescimento, impulsionada por serviços digitais, tecnologia e um mercado interno em expansão.

• Reino Unido: destaque no setor financeiro global e em serviços de alto valor agregado. Londres segue como um dos principais centros econômicos do mundo.

• França: economia diversificada com forte presença nos setores de luxo, turismo e tecnologia aeroespacial.

• Itália: reconhecida pela força da manufatura, moda e design. Apesar dos desafios fiscais, mantém papel relevante no comércio europeu.

• Canadá: economia estável, com destaque para petróleo, mineração e energia limpa, além de estreita integração com os EUA.

• Brasil: principal economia da América Latina, com base em agricultura, energia e commodities. Conta com grande mercado interno e vastos recursos naturais.

Segundo o FMI, o PIB per capita do Brasil é de aproximadamente US$ 9.960 anuais, mas o número é apenas uma média não reflete a desigualdade de renda, que continua sendo um dos principais entraves ao desenvolvimento sustentável.

PIB mundial e posição do Brasil

O PIB global atingiu US$ 115,49 trilhões em 2025, com PIB per capita médio de US$ 14,45 mil, segundo o FMI. A riqueza mundial cresce, mas de forma desigual: economias desenvolvidas concentram mais de 60% do total.

O Brasil ocupa atualmente a 10ª posição no ranking das maiores economias do planeta, de acordo com levantamento da Austin Rating. O país havia subido para a 9ª posição em 2023, mas recuou em 2024 após um crescimento mais modesto.

Mesmo assim, o país mantém relevância global, com PIB de US$ 2,179 trilhões e perspectivas de melhora gradual conforme os juros comecem a cair em 2026. O desafio agora é transformar essa recuperação em crescimento sustentado, com mais produtividade e menos desigualdade.

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