- A Conferência Central de Trabalho Econômico de 2026 reforçou que a demanda interna deve ser o motor do crescimento, com foco em um mercado interno mais robusto.
- Xi Jinping descreveu a expansão da demanda interna como uma escolha estratégica, deixando claro que não é apenas uma medida passageira.
- O plano inclui investir em pessoas, ampliar o consumo de serviços, ampliar a cobertura de seguros para trabalhadores de gig-economy e eliminar barreiras regulatórias em saúde, educação e cuidados.
- Desafios estruturais persistem: modelo de crescimento ainda é basear-se em produção e investimento, enquanto a demanda doméstica é fraca e a capacidade de oferta de serviços é limitada.
- Questões de execução, financiamento local e insegurança de renda podem atrasar mudanças, mantendo o risco de maior deflação e desaceleração do emprego se a demanda não acelerar.
O governo chinês sinaliza que a demanda interna deve ser o principal motor do crescimento, com foco em estimular o consumo doméstico. A orientação foi reafirmada na Conferência Central de Trabalho Econômico de 2025, indicando que o desenvolvimento deve ser liderado pela demanda interna e por um mercado doméstico robusto.
Apesar das declarações, persiste a dúvida sobre a capacidade de agir em grande escala. A liderança enfatiza a demanda como condição estrutural de estabilidade econômica e segurança, não apenas uma medida de curto prazo. Analistas questionam se o novo tom é suficiente para mudar o modelo de crescimento, baseado em investimento e exportação.
Xi Jinping reforçou, em artigo publicado pela principal revista do Partido, a necessidade de ampliar a demanda interna como escolha estratégica para a economia e a segurança do país. O texto destaca a redução do hiato entre produção e consumo e a importância de acelerar ações para ampliar o consumo, especialmente em serviços.
O debate envolve a estrutura do modelo de crescimento da China. O país depende historicamente do investimento como motor inicial e do consumo como resultado. Embora o consumo tenha aumentado, a expansão da oferta tem sido mais rápida, gerando desequilíbrio entre capacidade produtiva e demanda das famílias.
No curto prazo, a CEWC aponta um caminho: investir em pessoas, ampliar o consumo de serviços e reduzir barreiras regulatórias que limitam gastos domésticos em saúde, educação e cuidados. Também há ênfase em ampliar a cobertura de seguros para trabalhadores da gig economy e em ampliar a renda urbana e rural.
A implementação enfrenta restrições. Os ganhos de consumo dependem de renda estável, melhora do mercado de trabalho e um sistema de proteção social mais sólido. Em paralelo, a cautela fiscal local, a baixa capacidade de transferência de renda direta e incentivos históricos a projetos de produção dificultam mudanças rápidas.
Além disso, a China ainda encara entraves externos. Barreiras comerciais, controles tecnológicos e disputas com parceiros limitam o espaço de atuação para sustentar o crescimento apenas pela demanda interna. A busca por uma dependência maior do consumo enfrenta obstáculos estruturais no longo prazo.
A pergunta central é se a transição será rápida o bastante para evitar pressões deflacionárias e queda de investimentos privados. A prioridade é reduzir a incerteza de trabalhadores e firmas, assegurando emprego estável e acesso a serviços. O juro da questão econômica permanece se o governo conseguirá alinhar políticas fiscais, regulatórias e institucionais para sustentar a demanda doméstica.
Desafios e próximos passos
Analistas destacam que a eficácia depende de reformas fiscais locais e de um redesenho do sistema tributário, para favorecer consumo sem comprometer a estabilidade. A evolução do eixo de demanda interna depende de melhoria na qualidade dos serviços e de garantias sociais mais amplas.
O governo reconhece o desafio: ampliar a participação das famílias na renda nacional sem desalinhar o modelo político. A equação envolve emprego estável, educação e assistência médica acessível, além de reduzir a dependência de investimentos pesados como motor principal.
Caso as medidas se consolidem, a China poderá reduzir vulnerabilidades externas e depender menos de demanda externa. Do contrário, o ritmo de crescimento pode depender ainda de exportações e de módulos de investimento, mantendo pressões sobre preços e salários. O tempo para mudanças significativas ainda é visto como curto pelos analistas.
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