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EU-Mercosul: negociação pode não representar grande vitória europeia

Analistas veem ganho econômico do acordo UE-Mercosul como mínimo (0,05% até 2040), enquanto protestos na UE ganham contornos políticos

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Polish farmers hold a sign that reads “Stop Mercosur” and wave Polish flags while marching down a street in Warsaw, Poland.
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  • A União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul, encerrando 25 anos de negociações e criando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
  • O acordo deve eliminar mais de noventa por cento das tarifas sobre exportações da UE, visando ampliar o mercado para quase 780 milhões de consumidores.
  • A projeção é de que o impacto econômico seja mínimo, com ganho esperado de apenas cerca de 0,05 por cento do PIB da UE até 2040 (aprox. 90,2 bilhões de dólares).
  • Agricultores e grupos ambientais criticam o tratado; Austria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra, Bélgica abstida, mas Itália acabou aderindo após concessões de ajuda agrícola.
  • A aprovação final depende do Parlamento Europeu; na prática, protestos e debates sobre impactos agrícolas, ambientais e soberania econômica devem continuar.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul recebeu sinal verde na sexta-feira, após 25 anos de negociações. A medida visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com efeito limitado para a economia da UE, segundo estimativas oficiais. O objetivo é ampliar o fluxo comercial e diversificar fornecedores, reduzindo dependências.

O bloco europeu afirma que mais de 90% das tarifas sobre exportações da UE serão eliminadas, facilitando setores como automotivo e farmacêutico. A produção sul-americana dentro do acordo inclui Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, ampliando o mercado para produtores regionais.

Analistas apontam que o ganho econômico para a UE é modesto, estimado em cerca de 0,05% do PIB até 2040. Ainda assim, a assinatura provocou críticas de agricultores, ambientalistas e partidos que tematizam impactos sobre preços e padrões europeus.

Reações internas e votações

Vários países da UE votaram contra ou abstiveram-se, entre eles Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia. A Itália acabou alinhando-se ao acordo após concessões, incluindo acesso antecipado a ajuda agrícola, facilitando a aprovação parlamentar.

A Comissão Europeia percebe o acordo como ferramenta para enfrentar tarifas dos EUA e diversificar cadeias de suprimento críticas. Diante do debate, o Parlamento Europeu ainda precisa aprovar o tratado para a implementação.

Protestos e críticas

Críticos argumentam que o acordo pode inundar o bloco com importações baratas de carne, elevando custos para produtores locais e afetando regulamentações. Grupos ambientais questionam padrões de bem-estar animal, desmatamento e uso de agroquímicos na região.

No país, manifestantes de parte da agricultura e de movimentos ambientais intensificaram protestos, após a divulgação de detalhes do acordo. As mobilizações destacam disputas sobre soberania econômica e proteção de normas.

Contexto regional e impactos

Especialistas ressaltam que o acordo pode não trazer benefícios imediatos ao comércio entre a UE e Mercosul, dada a histórica baixa intensidade de comércio entre as partes. A UE vê no acordo também uma estratégia para reduzir dependências externas a partir de novas fontes de matéria-prima.

A discussão sobre o tema segue no âmbito europeu, com o Parlamento ainda em fase de avaliação. O desfecho pode influenciar a política interna de vários países e o comportamento de coalizões de governo no curto prazo.

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