Em Alta NotíciasConflitoseconomiaFutebolrelações internacionais

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Fim da febre do farelo de peixe na Mauritânia com regulação mais rígida

Mauritânia avança com regulação mais rígida na farinha de peixe; licenças retiradas e plantas fechando, movendo o foco para o processamento de peixe para consumo humano

Telinha
Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Canoes stationed by Bountiya, a fishmeal industrial zone in Nouadhibou, with industrial purse seiners, including the Turkish-flagged Cinar Kardesler.
0:00
Carregando...
0:00
  • A Mauritânia deixou de investir na produção de farinha de peixe após uma série de regulações, fechando fábricas em Bountiya e PK28 e reduzindo a atividade no setor.
  • Desde 2015, o governo restringe o setor com quotas, exigência de congelamento de pescados e proibição de espécies utilizadas em farinha de peixe; em 2021 houve decreto mais rigoroso e, em 2022, o plano de manejo de espécies pelágicas.
  • Das 30 plantas em Nouadhibou, seis tiveram licenças retiradas; outras sete foram abandonadas; restam oito operacionais e nove em cuidado/manutenção; em PK28 e Tanit, cinco perderam licença, duas foram abandonadas e sete em cuidado/manutenção.
  • A pesca industrial externa (purse seines) caiu de sessenta e nove embarcações em 2022 para trinta e dois em 2024; muitos barcos foram migrando ou entrando em inadimplência com multas.
  • Em 2023, a China foi o principal comprador de farinha de peixe e óleo de peixe da Mauritânia, respondendo por cerca de setenta por cento do volume de exportação, com França, Espanha, Dinamarca e Turquia também presentes.

Mauritania vive uma guinada no setor pesqueiro: a produção de farinha de peixe, antes núcleo da indústria de Nouadhibou, diminuiu drasticamente após uma série de regulações e medidas de gestão. O governo adotou em 2015 uma estratégia para o desenvolvimento sustentável, destacando problemas de crescimento desordenado e baixa agregação de valor. Ao longo dos anos, houve restrições progressivas que visaram reduzir o uso de pescado para ração animal.

Pelo lado prático, a capital Nouakchott abriga o PK28, um polo industrial que, junto com Bountiya, chegou a abrigar dezenas de plantas de farinha de peixe. Em 2017, havia dezenas de licenças ativas; em 2021 o governo intensificou controles com quotas e exigências de entrepostos frios. Em 2023, a Mauritânia exportou principalmente para a China, seguida por França e Espanha.

Novo regime regula o que pode ser processado

A política atual restringe o uso de espécies específicas na fabricação de farinha de peixe, com mudanças aplicadas em 2021 e 2022 que ampliaram as áreas de proteção costeira e impuseram limites a navios maiores. A indústria passou a depender mais de operações de congelamento e de fornecimento dentro de padrões que favorecem a carne para consumo humano. A partir disso, várias plantas foram fechadas ou deixaram de operar de forma plena.

A contestação pública e ambiental ganhou força com campanhas e pressão de organizações internacionais, além de acordos com a União Europeia que passem a exigir maior sustentabilidade. O plano de manejo de espécies pelágicas, adotado em novembro de 2022, limitou o acesso a águas costeiras e impediu pesquisas de pesca em faixas próximas à costa. Em paralelo, a cooperação com a UE permanece sob escrutínio, com foco em evitar a sobrepesca.

Situação atual do parque industrial e impactos

Levantamento da Mongabay, com base em dados oficiais e visitas técnicas, aponta que de 30 plantas em Nouadhibou, apenas alguns permaneceram ativas ou em operação mínima, com várias sendo desativadas ou abandonadas. Em PK28 e Tanit, o quadro é ainda mais crítico, com parte das plantas sem licenças ou em estado de manutenção.

A crise decorre da combinação entre restrições de suprimento de peixe, custos de infraestrutura (como freios para congelamento) e as dificuldades de adaptação de um setor fortemente dependente de navios estrangeiros. A queda na produção ficou acima de 50% desde o pico de 2020, com queda de volumes de processamento para fins de ração animal.

Perspectivas e próximos passos

Autoridades afirmam que a meta é transformar a pauta econômica, priorizando o processamento de pescado para consumo humano. Em meios oficiais, o objetivo é reduzir a participação da farinha de peixe na economia nacional, mantendo apenas atividades de aproveitamento de subprodutos. A indústria, por sua vez, sinaliza transição para operações de congelamento e para modelos de negócio com menor dependência de farinha de peixe, acompanhando o repensar estratégico do setor.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais