- VanEck aponta 2026 como ano “risk-on” para investidores, destacando IA, crédito privado e ouro como oportunidades após as correções de late-2025.
- O ciclo do Bitcoin quebrou em 2025, trazendo cautela para os próximos três a seis meses, mesmo com visões mais otimistas de curto prazo de algumas equipes.
- A análise se sustenta na expectativa de política monetária mais contida pelo Federal Reserve, com ajustes entre 25 e 50 pontos-base em 2026, após críticas ao excesso de afrouxamento.
- O déficit fiscal de 2026 deve ficar em até 5,5% do Produto Interno Bruto, com potencial de crescimento do PIB acima das previsões de Wall Street e IA com valuations atrativos.
- O ouro é visto em recuperação estrutural como ativo monetário global, impulsionado pela demanda de bancos centrais e por incertezas geopolíticas, como na Venezuela.
VanEck projeta 2026 como um ano de maior risco seletivo para investidores, mesmo com o Bitcoin rompendo seu ciclo de quatro anos. O CEO da gestora, Jan van Eck, aponta oportunidades em inteligência artificial, crédito privado e ouro após correções no fim de 2025.
O relatório de visão para o primeiro trimestre de 2026 enfatiza clareza sem precedentes sobre políticas fiscal e monetária. A equipe contrasta esse cenário com anos recentes de incerteza econômica e com a projeção da Goldman Sachs de retornos globais de ações ao redor de 11%.
Visão macro e oportunidades
VanEck atribui maior clareza à influência do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre a condução da política do Federal Reserve. A estratégia sugere política monetária contida, com ajustes de juros entre 25 e 50 pontos-base em 2026.
A gestora também cita críticas de Bessent à expansão excessiva de QE após a COVID-19, associando isso a inflação de curto a moderado. O novo ritmo de política seria menos agressivo, com confirmação estável de mudanças no cenário monetário.
Dívida privada, ouro e estabilidade fiscal
O relatório aponta melhoria no cenário fiscal dos EUA, com déficits em relação ao PIB desacelerando desde picos da pandemia. A previsão é de déficit de 5,5% do PIB ou menos em 2026, levando a juros de longo prazo mais estáveis.
A empresa entende que o crescimento do PIB pode superar as estimativas de consenso, citando que analistas estariam subestimando a economia. A visão passa a considerar ajustes positivos para ativos impulsionados por IA, diante de correções no fim de 2025.
IA, metais valiosos e setores de referência
Segundo VanEck, avaliações de IA recuaram a níveis mais atrativos após as correções de 2025. Observa-se queda de ações ligadas a demanda por data centers, com recuo superior a 50% em algumas companhias de tecnologia.
Empresas de energia nuclear e programas de fornecimento de energia elétrica para IA são citadas como exemplos de melhoria no perfil de risco para investidores de médio prazo. O ouro é apresentado como ativo estruturalmente requisitado por bancos centrais.
Crédito privado e ouro como alternativas
Veículos de crédito privado, incluindo os fundos de private credit, ganham atratividade após 2025 marcado por volatilidade. Custos de empréstimos flutuantes e casos isolados de fraude foram citados como fatores de precaução anteriores, porém com oportunidades de entrada mais atraentes hoje.
Gestoras de crédito, como a Ares Capital, teriam tido reprecificação de múltiplos que volta a trazer o setor a patamares históricos. O ouro é descrito como ativo monetário global em demanda, apoiado por política de bancos centrais e pela fraqueza estrutural do dólar.
Bitcoin e o cenário de curto prazo
A continuidade do ciclo de Bitcoin foi questionada após o rompimento observado em 2025, o que complica sinais de curto prazo. VanEck sinaliza cautela para os próximos três a seis meses, com Bitcoin apresentando fraco desempenho no ano anterior.
Entre os especialistas da equipe, há visões mais cautelosas para o curto prazo, em linha com avaliações de mercado que indicam fluxos de capital buscando ações e metais preciosos, gerando movimentos de sideways no início de 2026.
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