- O desmatamento bruto na Indonésia deve acelerar em 2025, impulsionado por logging, expansão de plantações e mineração; nos primeiros nove meses, foram desmatados cerca de 166.500 hectares, com o total de 2024 chegando a aproximadamente 216.000 hectares.
- O governo segue com o projeto Merauke Food Estate, que prevê desmatamento de pelo menos 2 milhões de hectares na província de Papáua Ocidental, alimentando receios sobre impactos às exportações e aos compromissos climáticos.
- As autoridades e organizações alertam que o aumento do desmatamento pode intensificar o escrutínio de importadores europeus, sob a regulamentação da União Europeia (EUDR), que exige verificação de origem de commodities como óleo de palma.
- O mercado de créditos de carbono sofreu frustração no leilão no COP30, com venda de menos de 2,8 milhões de créditos de um total de 90 milhões oferecidos, levantando dúvidas sobre a eficácia das ações climáticas locais.
- Mesmo com avanços no passado para frear o desmatamento, especialistas dizem que, se a Indonésia abrir mais áreas florestais para produção de óleo de palma, os impactos nas exportações podem se tornar mais onerosos.
A Indonésia enfrenta risco de uma queda de fogo cruzado entre progresso econômico e desmatamento. Dados apontam aceleração da perda de cobertura florestal causada por garimpo, expansão de plantações e mineração. Em 2025, as primeiras nove meses já sinalizam perdas superiores às de anos anteriores.
O ministro da Silvicultura, Raja Juli Antoni, informou a um comitê parlamentar que o desmatamento bruto em 2025 deve igualar ou superar o total de 2024, o que marcaria o maior registro desde 2019. O país mantém projetos controversos que ampliam áreas desmatadas, como o Merauke Food Estate.
O Merauke envolve a desapropriação de pelo menos 2 milhões de hectares na província de Papua do Sul. A oposição teme impactos sobre exportações de commodities, principalmente se mercados como a UE exigirem comprovação de cadeia de custódia livre de desmatamento.
Especialistas destacam que a expansão do Merauke pode comprometer avanços recentes no combate ao desmatamento. A ONG Mighty Earth aponta que o projeto agrava o histórico de perdas florestais do país.
Dados oficiais mostram que, nos primeiros nove meses de 2025, o desmatamento bruto atingiu 166.500 hectares. Em 2020, a área novos desmatamentos foi de 119.100 hectares, enquanto o aumento anual anterior não passava de 146.000 hectares.
Em 2024, o total oficial de desmatamento foi maior do que o registrado nos anos anteriores, segundo verificação de organizações não governamentais. A magnitude desta revisão reacende debates sobre a eficácia de políticas públicas já adotadas.
Afastando-se da taxa de décadas anteriores, o país ainda luta para equilibrar desenvolvimento com preservação. Planos para bioenergia doméstica e infraestrutura, como uma rodovia de 80 quilômetros em Papua, seguem adiante.
O projeto de bioetanol, com uma usina de 120 megawatts, está ligado a investimentos que devem ultrapassar 8 bilhões de dólares. A meta é produzir cerca de 2 bilhões de litros de bioetanol por ano no fim da década.
Na esfera internacional, o bloco europeu criou a EUDR para rastrear importações. Empresas adquiriam a obrigação de checar parte das exportações para evitar commodities resultantes de desmatamento. A UE ainda não comentou oficialmente sobre a escalada indonesia.
Até o momento, apenas parte dos títulos de créditos de carbono oferecidos na COP30 foi vendida. O governo não revelou valores nem identidades dos compradores, mas algumas operações teriam envolvido empresas estatais.
Observa-se cautela entre especialistas: com o aumento do desmatamento, cresce o escrutínio sobre as exportações de madeira, óleo de palma e outros itens. A avaliação de risco pode subir, elevando custos para importadores.
A pressão internacional, aliados à necessidade de cumprir metas climáticas, mantém o Brasil sob observação sobre como a Indonésia equilibra produção, florestas e emissões. As decisões sobre o Merauke seguem como ponto-chave no debate.
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