- Em março, o governo central registrou déficit primário de R$ 73,783 bilhões, com despesas de R$ 269,881 bilhões e receita líquida de R$ 196,1 bilhões.
- O déficit foi impulsionado pela antecipação de precatórios em 2026, aumentando gastos com sentenças judiciais, previdência e folha de pagamento (principais componentes: sentenças/ precatórios R$ 34,903 bilhões; benefícios previdenciários R$ 28,615 bilhões, dos quais R$ 23,982 bilhões em precatórios; pessoal e encargos R$ 11,258 bilhões, dos quais R$ 8,786 bilhões em precatórios).
- No primeiro trimestre, o déficit primário somou R$ 17,085 bilhões, com receita líquida de R$ 626,4 bilhões e despesas totais de R$ 643,5 bilhões; o resultado trimestral também foi afetado pela antecipação de precatórios, apesar do superávit de janeiro.
- Investimentos federais cresceram expressivamente em março, atingindo R$ 14,8 bilhões (323,9% acima da inflação); no acumulado de 2026, os investimentos chegam a R$ 24,4 bilhões (146,4% acima da inflação).
- A meta fiscal para 2026 prevê déficit máximo de R$ 68,6 bilhões, com possibilidade de abatimentos de até R$ 63,5 bilhões, incluindo precatórios; mesmo assim, a expectativa oficial é de déficit de R$ 59,8 bilhões no ano.
O governo central registrou déficit primário de 73,783 bilhões de reais em março, impactado pelo pagamento antecipado de precatórios, dívidas da União com sentenças judiciais definitivas. A divulgação foi feita pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira. O resultado é o pior para o mês desde 1997, início da série histórica.
As despesas totais atingiram 269,881 bilhões, 49,2% acima de março de 2025, enquanto a receita líquida somou 196,1 bilhões, 7,5% acima da inflação. A mudança no calendário de pagamentos de precatórios em 2026 explica parte do choque, com maior concentração de despesas em março, diferentemente de 2025, quando houve pagamentos mais distribuídos.
Principais despesas: sentenças judiciais e precatórios somaram 34,903 bilhões; benefícios previdenciários, 28,615 bilhões (sendo 23,982 bilhões em precatórios); e pessoal e encargos sociais, 11,258 bilhões (8,786 bilhões em precatórios). Segundo o Tesouro, parte dessas despesas está vinculada a decisões judiciais, elevando também gastos com Previdência e folha de pagamento.
Investimentos
Os investimentos federais mostraram impulso expressivo em março, sinalizando maior execução orçamentária. Os investimentos no mês chegaram a 14,8 bilhões, alta de 323,9% acima da inflação. No acumulado de 2026, os investimentos somam 24,4 bilhões, 146,4% acima da inflação. O avanço reflete aceleração de projetos públicos no início do ano.
Receitas tributárias e reflexo fiscal
Entre as receitas, houve crescimento impulsionado pela economia e por medidas tributárias. IOF, IR e CSLL tiveram desempenhos relevantes, além da Cofins, contribuindo para a receita líquida. Mesmo assim, o salto de despesas manteve o déficit primário de março em ritmo elevado.
Resultado do trimestre e cenário anual
No primeiro trimestre, o déficit primário ficou em 17,085 bilhões de reais. A receita líquida foi de 626,4 bilhões, com ganho de 4,2% em termos reais, enquanto as despesas totais somaram 643,5 bilhões, alta de 23,3% em termos reais. O resultado trimestral manteve o déficit por antecipação de precatórios, embora tenha contado com um superávit de janeiro, de 86,9 bilhões.
Meta fiscal e perspectivas
A meta fiscal de 2026 prevê superávit de 0,25% do PIB, ou cerca de 34,3 bilhões, com margem que pode variar para zero ou até 68,6 bilhões positivos. Contudo, regras permitem excluir até 63,5 bilhões em despesas do cálculo, incluindo precatórios. Mesmo com abatimentos, a previsão oficial aponta déficit de até 59,8 bilhões no ano. Se confirmado, o ano manterá o caminho de contas em vermelho.
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