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CBT: da hegemonia à falência na indústria de tratores

Colapso da CBT ocorreu com a abertura de importações e crise de crédito; hoje, legado nostálgico e alerta sobre dependência de tecnologia estrangeira

Nas décadas de 1970 e 1980, a CBT reinou absoluta no mercado de tratores brasileiro ao resolver gargalos específicos do produtor nacional (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT Images/Gazeta do Povo)
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  • A CBT foi fundada por Mário Pereira Lopes no interior de São Paulo e dominou o setor entre as décadas de setenta e oitenta, até a falência em noventa e cinco, causada pela abertura de mercado e crises econômicas.
  • Seus tratores eram conhecidos pela brutalidade mecânica e simplicidade, com motores Mercedes-Benz, sem eletrônica, fáceis de manter e com peças disponíveis em oficinas remotas do país.
  • A empresa tentou diversificar, criando a aeronave agrícola CBT Tarpan e o jipe Javali, mas os custos elevados e a forte concorrência impediram o sucesso comercial.
  • O colapso na década de noventa foi resultado da “tempestade perfeita”: abertura de importações pelo governo Collor, falta de crédito subsidiado e a entrada de tratores modernos estrangeiros com preços competitivos.
  • O fim ocorreu em noventa e cinco, com falência decretada em setenta e dois; mais de mil e oitocentos empregos perdidos e dívidas em torno de R$ quatrocentos milhões, cujo patrimônio foi leiloado; o parque industrial foi adquirido pela TAM para uso tecnológico.

A Companhia Brasileira de Tratores (CBT) foi criada por Mário Pereira Lopes no interior de São Paulo e dominou o cenário agrícola brasileiro nas décadas de 1970 e 1980. A empresa abriu o espaço de mercado, mas entrou em falência em 1995, em meio à abertura econômica e a crises setoriais.

Os tratores da CBT ficaram conhecidos pela “brutalidade mecânica” e pela simplicidade de repair. Trabalhando no Cerrado, eles resistiam ao solo duro com motores Mercedes-Benz, facilitando a reposição de peças em oficinas locais sem eletrônica complexa.

A CBT buscou ampliar operações com a aeronave agrícola CBT Tarpan e o jipe Javali, utilitários off-road a diesel próprio. Porém, altos custos de produção e forte concorrência impediram o sucesso comercial.

A queda teve como pano de fundo a abertura de importações promovida pelo governo Collor e a retirada de crédito subsidiado. Agricultores deixaram de comprar máquinas, enquanto tratores estrangeiros modernos chegaram ao Brasil com preços competitivos.

O processo de falência foi oficializado em novembro de 1995, com decreto definitivo em 1997. Mais de 1.800 trabalhadores ficaram sem emprego e as dívidas chegaram a cerca de R$ 400 milhões. O parque industrial foi leiloado.

O patrimônio foi adquirido pela TAM para transformar o espaço em um centro tecnológico. Hoje, a CBT sobrevive no imaginário de colecionadores, com modelos antigos comercializados por valores que chegam a centenas de milhares.

A história da CBT evidencia o dilema brasileiro na indústria pesada: país de forte agronegócio, mas dependente de tecnologia de origem externa para máquinas pesadas.

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