- O mercado de petróleo segue volátil há mais de três meses, com o Brent perto de cem dólares o barril devido ao conflito entre Israel e Irã.
- Nesta segunda, o Brent chegou a noventa e oito dólares, subindo cinco por cento, mas recuou para pouco mais de noventa e quatro dólares após o anúncio do fim das operações militares.
- O estreito de Ormuz permanece o principal obstáculo para a normalização do abastecimento, mantendo pressão para o petróleo permanecer elevado durante o verão.
- A China reduziu significativamente suas importações de petróleo nos últimos três meses e poderia voltar ao mercado a qualquer momento, o que pode sustentar a alta dos preços.
- Projeções indicam que, se Ormuz não se reabrir rapidamente, o Brent pode ficar em patamar elevado; analistas estimam média de cerca de cento e dez dólares no terceiro trimestre e queda para perto de noventa dólares no quarto, com possibilidade de acima de cento e trinta dólares se o estreito permanecer fechado no ano.
O mercado mundial de petróleo segue sob forte volatilidade após três meses de tensão na região. O confronto entre Israel e Irã elevou o risco de interrupção no fornecimento pelo estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte de crude.
O preço do Brent chegou a subir cerca de 5% em uma sessão, ante ataques mútuos que Israel iniciou apesar de avisos pré-operatórios. Após o anúncio de fim temporário das ações militares, a cotação recuou, porém em patamar elevado e instável.
Mesmo com alguma trégua, o mercado permanece preocupado com a possibilidade de novas escaladas, que manteriam o petróleo caro neste verão. A região abriga conflitos que dificultam a normalização do fluxo pelo estreito persa.
Um novo elemento é a pauta chinesa. Em três meses, a China reduziu expressivamente suas importações de petróleo, sustentada por reservas robustas. Analistas apontam que o retorno das compras pode ocorrer a qualquer momento, pressionando novamente os preços.
Apesar da possibilidade de Ormuz retomar o trânsito de petróleo rapidamente, ainda há obras de reparo para instalações danificadas e menor capacidade de reservas estratégicas. Esse cenário prolongaria a pressão sobre o Brent por meses.
Especialistas destacam que a ausência de escalada direta é um alívio, mas não elimina riscos. Projetos de fluxo de petróleo pelos oceanos ainda dependem de negociações que não chegaram a acordos para reabrir o estreito.
As perspectivas de preço variam conforme cenários de demanda e oferta. Por exemplo, uma visão aponta média de 110 dólares no Brent no terceiro trimestre, com recuo para 90 dólares no quarto, caso haja normalização parcial.
Se Ormuz permanecer fechado ao longo do ano, alguns analistas estimam que o Brent pode superar 130 dólares. Em paralelo, a recuperação da demanda dependerá não apenas de geopolítica, mas da restauração de infraestrutura na região.
Do lado da demanda, os estoques variados influenciam o mercado. Nos EUA, reservas de petróleo recuaram cerca de 10% neste ano, alcançando níveis vistos pela última vez há décadas, o que sustenta a cautela entre compradores.
A companhia Kpler aponta que a China, segundo maior consumidor, ainda não retornou como grande comprador de petróleo marítimo. Em maio, as importações chinesas caíram para o menor patamar em quase uma década, ampliando a incerteza sobre o ritmo da demanda global.
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