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Crianças indígenas abandonam escola após decapitação de jovem no Paraná

Crianças indígenas da etnia Avá-Guarani abandonam a escola por medo de violência após assassinato e ameaças em Guaíra, Paraná

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Crianças indígenas são vítimas de ameaças no oeste do Paraná (Foto: Roberto Porto/ RPC)
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  • Crianças indígenas da etnia Avá-Guarani, no oeste do Paraná, pararam de ir à escola devido a ameaças de violência na região.
  • O Ministério Público do Paraná (MP-PR) identificou o impacto negativo na saúde mental e na frequência escolar das comunidades.
  • A situação piorou após o assassinato de um jovem indígena, que deixou uma carta ameaçadora direcionada às crianças que usam ônibus escolares.
  • Mais de quinhentas crianças vivem nas comunidades de Guaíra, onde algumas só retornaram às aulas após intervenções do MP-PR.
  • O MP-PR e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram medidas de segurança para proteger as comunidades, com prazos para apresentação de providências.

Crianças indígenas da etnia Avá-Guarani, no oeste do Paraná, interromperam suas atividades escolares devido a ameaças de violência na região, marcada por conflitos históricos sobre a demarcação de terras. O problema foi identificado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que destacou o impacto na saúde mental e na frequência escolar das comunidades.

A situação se agravou após o assassinato de Everton Lopes Rodrigues, de 21 anos, encontrado decapitado em julho. Junto ao corpo, uma carta ameaçadora foi deixada, direcionada especialmente às crianças que utilizam ônibus escolares. O documento continha mensagens de ódio, prometendo ataques às aldeias e aos alunos, o que gerou pânico entre as famílias indígenas.

Mais de 500 crianças, entre 2 e 12 anos, vivem nas comunidades de Guaíra, que abriga as Terras Indígenas Tekoha Guasu Guavirá e Tekoha Guasu Okoy Jakutinga. O MP-PR informou que algumas famílias só permitiram o retorno das crianças à escola após intervenções do órgão. A advogada Ana Caroline Silva Magnoni, da Comissão Guarani Yvurupa, relatou que as ameaças têm causado traumas profundos, com relatos de crianças que não conseguem dormir e enfrentam racismo nas instituições de ensino.

Situação Escolar

Em Terra Roxa, a Secretaria Municipal de Educação confirmou que 48 crianças indígenas estão matriculadas em duas escolas, embora algumas tenham deixado de embarcar nos ônibus. Em Guaíra, 260 crianças estão matriculadas em 25 instituições. Apesar da existência de escolas indígenas, muitas crianças precisam frequentar instituições urbanas, aumentando os riscos durante os deslocamentos. A principal demanda das comunidades é a instalação de escolas dentro das aldeias.

A Secretaria de Educação do Estado do Paraná (Seed-PR) informou que possui 40 escolas exclusivamente indígenas, atendendo cerca de 5,5 mil estudantes de diversas etnias. A Itaipu Binacional, em acordo com o STF, é responsável pela compra de terras e melhorias para as comunidades, incluindo demandas educacionais.

Medidas de Segurança

Recentemente, o MP-PR e o Ministério Público Federal (MPF) emitiram recomendações às forças de segurança para garantir a proteção das comunidades. As instituições têm 20 dias para apresentar providências, com possíveis consequências em caso de não cumprimento. A Guarda Municipal de Guaíra está realizando rondas e acompanhando os ônibus escolares.

O conflito pela demarcação de terras na região é histórico, com a Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá sobreposta a 378 propriedades rurais. Desde a construção da Usina de Itaipu, as comunidades reivindicam a demarcação de novas áreas, e o Incra iniciou a avaliação de terras para aquisição em junho deste ano, embora o processo de assentamento não tenha prazo definido para conclusão.

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