- Trinity Hall, colégio de Cambridge, aprovou uma política de recrutamento direcionado a cerca de 50 escolas privadas, incluindo St Paul’s Girls, Eton e Winchester, para melhoria da qualidade das candidaturas.
- A iniciativa busca atrair estudantes de áreas como idiomas, música e clássicos, com a alegação de evitar discriminação reversa ao valorizar esse grupo de escolas.
- A medida recebeu críticas de especialistas em mobilidade social e de colegas dentro do próprio college, que a chamaram de “uma afronta” aos estudantes de ensino público.
- Internamente, houve resistência entre alguns fellows, que dizem que a nova política pode tornar a comunidade menos diversa e reintroduzir um “clube dos meninos” no histórico ambiente da instituição.
- Dados históricos mostram que, em 2022, Trinity Hall tinha 32% de alunos provenientes de escolas privadas, caindo para 26% nos números mais recentes; Cambridge e Oxford trabalham para ampliar participação de estudantes de escolas públicas.
Trinity Hall, um dos colleges de Cambridge, aprovou recentemente uma nova política de recrutamento voltada a um conjunto restrito de escolas privadas de elite, interrompendo décadas de esforços para ampliar o acesso a alunos de educação pública e de origem desfavorecida. A medida foi aprovada pela comunidade acadêmica no mês passado.
A ideia é abordar de forma direta cerca de 50 escolas independentes, incluindo St Paul’s Girls, Eton e Winchester, com o objetivo de aumentar a qualidade dos candidatos em áreas como línguas, música e humanidades. A justificativa é evitar discriminação reversa e ampliar a representatividade de modo seletivo.
Marcus Tomalin, diretor de admissões, descreveu a política em um memorando que chegou a divulgação. Segundo ele, os melhores estudantes dessas escolas trazem preparação e interesses que correspondem às exigências acadêmicas previstas pelo ensino de Cambridge.
Dentro da instituição, alguns docentes criticaram a mudança, descrevendo-a como prejudicial aos estudantes de origem estatal. Relatos internos indicam que muitos colegas ficaram apreensivos, mas não conseguiram impedir a apresentação formal da proposta.
Especialistas em mobilidade social advertiram que a prática pode reduzir o impacto positivo de iniciativas anteriores para ampliar o acesso universitário. Um professor citou que a diversidade e o potencial científico devem ser identificados onde quer que estejam.
A universidade afirmou, por meio de um porta-voz, que Cambridge tem um histórico de abertura e que a política atual não altera o compromisso com a admissões equitárias. A instituição ressalta ações como programas residenciais para grupos sub-representados.
Dados sobre participação indicam que, desde 2022, a participação de candidatos de escolas privadas entre os admitidos em Cambridge caiu de 32% para 26% no último levantamento. Em 2024, Cambridge eliminou metas específicas para escolas públicas, sob orientação regulatória.
Contexto adicional aponta que até 2022, a maioria dos admitidos em Cambridge era de alunos de ensino público, mas a proporção de alunos de escolas privadas aumentou modestamente desde então. A instituição segue com metas de acesso e participação para equilibrar o quadro.
Cambridge e Oxford passaram a reforçar medidas para reduzir a percepção de seletividade ligada a escolas de renome. A universidade destaca que o objetivo é reconhecer potencial acadêmico em diferentes origens, sem privilegiar um único retíssimo conjunto de instituições.
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