- Pesquisas com cuidadores de 4.758 crianças mostram que, aos 2 anos, aquelas com maior tempo de tela — cerca de cinco horas diárias — falam bem menos palavras do que as com cerca de 44 minutos diários.
- À idade de dois anos, 98% das crianças assistem a conteúdo em tela, em média 127 minutos por dia; aos nove meses, a média era de 29 minutos.
- A Organização Mundial da Saúde recomenda no máximo uma hora de tela por dia para crianças de dois a quatro anos.
- O tempo maior de tela está ligado a menor desenvolvimento de vocabulário: as crianças com mais tempo de tela disseram, em média, 53% das 34 palavras testadas, versus 65% entre as de menor tempo.
- O governo britânico lançará, em abril, orientações sobre uso de telas para menores de cinco anos, com um painel liderado pela representante infantil e pelo ex-chefe científico do Departamento de Educação para revisar evidências e ouvir pais.
A educação britânica divulgou que o tempo excessivo diante de telas pode limitar o vocabulário de crianças de dois anos. A pesquisa, encomendada pelo governo, aponta diferenças entre quem usa telas por cerca de cinco horas diárias e quem fica em torno de 44 minutos.
O estudo envolveu cuidadores de 4.758 crianças, acompanhadas desde nove meses até os dois anos, entre 2022 e 2024. A média diária de tela para dois anos ficou em 127 minutos, em geral inclui TV, vídeos e jogos.
Ao todo, 98% das crianças de dois anos assistem a conteúdos em telas; o uso continua quase universal na primeira infância. A Organização Mundial de Saúde recomenda no máximo uma hora por dia para esse grupo.
Segundo os dados, crianças com maior tempo de tela apresentam menor desenvolvimento de vocabulário. Em 34 palavras-testes, a diferença média foi de 12 itens entre os extremos do estudo.
Entre os dois grupos, crianças com menos tempo de tela conseguiram falar 65% das palavras testadas, frente a 53% entre as de maior uso. Mesmo assim, a média global foi de 21 palavras, sem diferença relevante frente a coortes anteriores.
O governo planeja publicar, em abril, as primeiras diretrizes sobre uso de telas para menores de cinco anos. As orientações vão sugerir atividades de fala, leitura e brincar para complementar o tempo de tela.
Uma comissão liderada por Rachel de Souza, comRachel de Souza, aComissionada de Inglaterra, e o professor Russell Viner, revisará evidências e ouvirá pais para compor as recomendações.
Paralelamente, uma das maiores entidades sindicais de ensino, NASUWT, pediu banir redes sociais para menores de 16 anos, citando impactos na saúde mental. Phillipson disse que o tema está sendo analisado.
O estudo também indica que 25% das crianças apresentaram escores acima do limiar para possíveis problemas comportamentais ou emocionais, conforme avaliação de cuidadores.
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