Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7) a apreensão do petroleiro Marinera, anteriormente identificado como Bella 1, no Atlântico Norte. A operação, conduzida em águas internacionais, tende a intensificar a disputa geopolítica entre Washington e Moscou e levanta questionamentos sobre os limites do direito internacional marítimo. Segundo o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA […]
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7) a apreensão do petroleiro Marinera, anteriormente identificado como Bella 1, no Atlântico Norte. A operação, conduzida em águas internacionais, tende a intensificar a disputa geopolítica entre Washington e Moscou e levanta questionamentos sobre os limites do direito internacional marítimo.
Segundo o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA (EUCOM), o navio vinha sendo monitorado desde dezembro de 2025 e foi abordado por militares americanos com apoio da Guarda Costeira. As autoridades afirmam que a embarcação violava sanções impostas ao regime da Venezuela e integrava uma chamada “frota fantasma”, utilizada para o transporte de petróleo sancionado.
A ação foi realizada com base em um mandado expedido por um tribunal federal norte-americano e contou com o acompanhamento do navio-cortador USCGC Munro, responsável pelo rastreamento do petroleiro durante parte da operação.
De acordo com Washington, o Marinera havia resistido a tentativas anteriores de abordagem próximas ao litoral venezuelano. Após deixar a região, a embarcação mudou de nome e registro, passando a ostentar bandeira russa — movimento interpretado pelos EUA como uma tentativa de escapar das medidas punitivas impostas ao setor petrolífero venezuelano.
Relatórios internacionais indicam que, durante a perseguição, um submarino e outras embarcações russas chegaram a escoltar o petroleiro por um período. Apesar disso, a apreensão ocorreu sem confronto direto entre forças americanas e russas.
Reação de Moscou e acusações de ilegalidade

O Ministério dos Transportes da Rússia condenou formalmente a operação e acusou os Estados Unidos de violar a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), de 1982. Segundo Moscou, o tratado garante a liberdade de navegação em alto-mar e restringe o uso da força contra navios registrados sob a jurisdição de outro Estado.
O senador russo Andrei Klishas, integrante do partido governista Rússia Unida, classificou a ação como um “ato de pirataria descarada”, em declaração à agência estatal TASS. O governo russo também exigiu garantias de tratamento humanitário aos cidadãos russos a bordo do Marinera e respeito aos seus direitos legais.
Contexto geopolítico e impactos internacionais
A apreensão do petroleiro ocorre em meio à intensificação da política de sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela, cujo principal produto de exportação é o petróleo. O presidente americano, Donald Trump, afirmou recentemente que o bloqueio a embarcações venezuelanas “permanece em vigor em todo o mundo”.
Analistas avaliam que o episódio representa um dos raros casos em que um navio com bandeira russa foi capturado por autoridades americanas, o que pode agravar ainda mais as já elevadas tensões diplomáticas entre Washington e Moscou. O Reino Unido teria oferecido apoio logístico à operação, segundo agências internacionais.
Especialistas em direito marítimo apontam que o caso pode reabrir debates sobre soberania em águas internacionais, reflagamento de embarcações e os limites das sanções extraterritoriais impostas pelos EUA. Até o momento, não há sinal de retaliação militar por parte da Rússia, mas o episódio já repercute em discussões sobre segurança marítima e estabilidade global.
Trump anuncia plano para petróleo venezuelano
Horas após a divulgação da operação, o presidente Donald Trump publicou uma mensagem nas redes sociais detalhando um plano para destinar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano aos Estados Unidos.

“Tenho o prazer de anunciar que as Autoridades Interinas da Venezuela irão entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, atualmente sancionado, aos Estados Unidos da América.
Esse petróleo será vendido a preço de mercado, e os recursos serão controlados por mim, como presidente, para garantir que sejam usados em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos.
Solicitei ao secretário de Energia, Chris Wright, que execute este plano imediatamente.
O petróleo será transportado por navios-tanque e descarregado diretamente nos portos dos Estados Unidos.”
A declaração amplia a controvérsia em torno da política energética e das sanções americanas, ao mesmo tempo em que adiciona um novo elemento de tensão ao cenário diplomático internacional.
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