- Entre 2022 e 2025, mais de 295 mil incidentes de violência física e agressão por pacientes contra funcionários de trusts da NHS na Inglaterra foram registrados, equivalentes a cerca de 285 casos por dia.
- Foram quase 24 mil casos de agressão sexual registrados no mesmo período, contra cerca de 20 mil nos cinco anos anteriores.
- Aumento de abuso está ligado a longas esperas por atendimento, desconfiança na medicina e racismo contra trabalhadores de cor, com casos envolvendo adolescentes violentos em unidades de saúde mental.
- Médicos e enfermeiros relatam danos a salas e equipamentos, ataques com armas e poucas consequências legais para os agressores.
- Autoridades destacam a necessidade de combate à violência com treinamento, fiscalização mais rígida e denúncias, apontando que registros oficiais devem subestimar a realidade.
O NHS enfrenta uma crise de violência contra profissionais de saúde. Entre 2022 e 2025, 212 trusts na Inglaterra registraram mais de 295 mil ataques físicos e de agressão por pacientes contra funcionários. A média é de cerca de 285 relatos por dia.
As agressões vão de ameaças a ataques com armas, incluindo casos com facas. Unidades relatam destruição de equipamentos e danos de centenas de milhares de libras. Um incidente recente em Merseyside envolveu um homem que atacou várias pessoas com um alicate.
Os ataques também aumentaram em termos sexuais e de assédio. Quase 24 mil ocorrências desse tipo foram registradas no período, em comparação com cerca de 20 mil nos cinco anos anteriores. Mulheres em funções de atendimento relatam abusos durante o tratamento.
Diversas entidades médicas e de enfermagem alertam para a gravidade do quadro. A generalista Nicola Ranger, da Royal College of Nursing, afirmou tratar-se de um emergente nacional para a segurança dos trabalhadores. Conferem-se problemas de longo tempo de espera e desconfiança na população.
Funcionários e gestores indicam que alguns setores ficam literalmente isolados, com alas inteiras fechadas para conter pacientes violentos. A escassez de leitos em unidades de saúde mental agrava a situação, segundo relatos de gerentes de segurança.
Contexto e respostas institucionais
Relatos indicam que muitas ocorrências não são oficialmente registradas, o que sugere subnotificação. Em 212 trusts, 40 registraram mais de 2.000 incidentes de violência, e 26 registraram mais de 500 casos de assédio sexual. Pesquisas apontam subestimação do problema.
Representantes sindicais cobram ações mais rígidas. O BMA e a RCN pedem medidas urgentes para proteção de funcionários, com melhoria de treinamento e fiscalização. Em pronunciamentos, autoridades oficiais reiteram zero tolerância à violência.
O secretário de Saúde, Wes Streeting, anunciou revisão urgente de discriminação e medidas contra ameaças. Eles destacam que casos devem ser reportados à polícia e que punições severas serão aplicadas, incluindo possíveis sentenças mais graves.
A NHS England confirmou que a violência contra trabalhadores é inaceitável, incentivando a denúncia de incidentes. A Polícia Nacional também afirmou adotar abordagem de tolerância zero à violência contra profissionais de saúde em serviço.
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