- A galeria alemã de arte (GAG), que detém uma das mais completas coleções privadas de obras associadas ao Terceiro Reich, publicou anúncios na Truth Social, rede social de Donald Trump.
- O dono, Marius Martens (anonimamente, à The Art Newspaper), diz que a publicidade é criativa, provocativa e econômica, permitindo alcançar entrevistados de diferentes espectros políticos.
- O anúncio com a frase “Art of the German Elite, 1933-1945” recebeu críticas por supostamente exaltar o nazismo; a galeria afirma que o termo “elite” se refere à liderança alemã da época e não a moralidade ou cultura.
- Especialistas ressaltam a complexidade da situação: a galeria possui vasta coleção de obras do regime e já mostrou peças em museus, enquanto o mercado de arte nazista tem crescido.
- Martens afirma que a coletânea rivaliza com a Coleção de Arte de Guerra Alemã do Exército dos Estados Unidos e que a exposição histórica e o contexto institucional são centrais para entender o tema.
A galeria alemã de arte, especializada em obras ligadas ao III Reich, gerou debate ao anunciar em Truth Social, a rede social de Donald Trump. A divulgação envolve peças associadas a Adolf Hitler e outras lideranças do regime, sustenta a instituição.
O proprietário, que usa o pseudônimo Marius Martens, afirma acreditar que a publicidade é criativa e eficaz. Em entrevista sob condição de anonimato, ele diz que não possui laços com a direita extremista e que o formato reduz custos, ampliando o alcance para públicos diversos.
Martens justifica a escolha econômica e de alcance político, ao afirmar que cerca de metade dos eleitores americanos são conservadores. Ele diz que a estratégia visa atingir esse público, sem sugerir apoio ao nazismo, embora as peças publicitadas façam menção a 1933-1945.
Controvérsia em torno do anúncio
Críticos apontam que o texto utilizado na campanha — Art of the German Elite, 1933-1945 — parece celebrar o Nazismo. Um usuário da Truth Social informou à The Art Newspaper que viu várias peças com esse enquadramento e se disse desconfortável com o conteúdo.
Martens sustenta que o uso da palavra elite se refere apenas à liderança alemã da época e que as advertências na página da galeria ajudam a esclarecer o contexto histórico. Fontes da galeria destacam que há disposições legais e condições de uso para evitar interpretações indevidas.
Contexto histórico e mercado de arte
Especialistas destacam que a coleção da GAG é uma das mais completas de obras associadas ao regime e que já emprestou peças a museus europeus. O historiador Gregory Maertz ressalta que obras foram usadas em mostras sobre o período, embora não haja questões de restituição associadas às obras à venda.
Maertz também observa o atual movimento de valorização do nazismo na arte, ligado a um ressurgimento de sentimentos de direita em várias partes do mundo. Ele aponta que exposições sobre o assunto podem atrair perfis que desejam expressar visões extremistas.
A trajetória da galeria e o cenário internacional
A GAG afirma ter adquirido a maior parte das obras de terceiros que chegaram ao mercado nos últimos 15 anos, somando centenas de esculturas e pinturas. A galeria já entregou obras a museus na Europa e já manteve contatos com instituições nos EUA, incluindo galpões de Milwaukee.
Segundo Martens, os preços de obras do III Reich cresceram nos últimos anos, com vendas variando entre milhares de euros. A empresa alega que isso se deve a fatores de mercado e a bases de dados históricas, como registros de mostras da época.
Perguntas sem resposta e posicionamento institucional
A GAG afirma ter contatado instituições como museus e universidades dos EUA para discutir contextualização de obras de Carl Paul Jennewein. Representantes do Yale e do Met não confirmaram respostas à The Art Newspaper até o fechamento desta reportagem. A Casa Branca não respondeu a solicitações sobre o tema.
Martens aponta que a exposição de obras de período sombrio serve para fomentar o debate público sobre a Segunda Guerra Mundial. Ele sustenta que a divulgação abre espaço para uma compreensão mais profunda do período histórico e para diálogos entre museus e colecionadores.
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