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Por que governo francês gasta milhões em arte que ninguém vê

Relatórios divergem sobre CNAP: uma defesa de foco em artistas franceses; outra aponta desperdícios e sugere fechamento até 2030

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
The Centre national des arts plastiques (CNAP) government agency has been the target of criticism
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  • O Centre national des arts plastiques (CNAP) é uma agência pública francesa criada em 1982 para apoiar artistas vivos e reunir obras, porém permanece pouco conhecido fora da França.
  • Em julho, Martin Bethenod apresentou um relatório para o ministério da cultura sugerindo reorientar as aquisições do CNAP, com maior ênfase em artistas e galerias franceses.
  • Em novembro, a Cour des Comptes publicou um relatório crítico, apontando fragilidade administrativa, orçamento desafiador e possível redundância do CNAP.
  • A auditoria revelou que quarenta e seis mil obras estão em armazenamento e quase 25 mil (um quarto) nunca foram exibidas; o CNAP gasta mais com custos de funcionamento (€ 12,8 milhões em 2024) do que com investimentos (€ 5,4 milhões).
  • Reações incluíram carta aberta de cerca de mil profissionais da área defendendo o papel público da cultura; advogam pela continuidade do CNAP, destacando seu histórico e função de fomentar a prática artística na França.

A CNAP (Centre national des arts plastiques) ganhou destaque após a divulgação de dois relatórios oficiais, ambos sobre o mesmo organismo, criado em 1982 para apoiar artistas vivos e reunir obras. O motivo é a divergência entre as conclusões apresentadas e o papel da instituição no cenário cultural francês.

Em julho, Martin Bethenod, ex-diretor de Palazzo Grandi em Veneza, entregou um parecer ao ministério da Cultura. A análise defende que museus parisienses, o CNAP entre eles, têm função central na situação atual da arte contemporânea francesa, sugerindo uma revisão da política de aquisições para privilegiar artistas e galerias nacionais.

Em novembro, porém, a Cour des Comptes publicou um relatório crítico sobre as finanças do CNAP. O documento aponta fragilidade administrativa, orçamento des balanceado e possível redundância institucional, destacando que grande parte das obras está guardada e um quarto nunca foi exibido.

O magistrado Julien Aubert descreveu a gestão como cara para o retorno de investimento, citando gastos com funcionamento de 12,8 milhões de euros em 2024 frente a 5,4 milhões de investimentos. Contou que 46.386 obras estão armazenadas e 24.472 não foram exibidas. Recomenda fechar o CNAP até 2030.

Reações rápidas e críticas foram registradas após o relatório. Aubert é conhecido por posições conservadoras e já pediu cortes de financiamento público para políticas culturais. Em uma carta aberta, cerca de mil profissionais do setor contestaram o que viram como ataque ideológico à função pública da cultura.

Apoiadores defendem a função histórica do CNAP. Eles destacam que a instituição financia artistas, gerencia o Fonds national d’art contemporain e atua como registro da prática contemporânea de França. O orçamento anual, de cerca de 18,4 milhões de euros, é considerado modesto em comparação a grandes instituições.

Especialistas apontam que o CNAP opera desde a Revolução Francesa e continua relevante para apoiar a produção, pesquisa e disseminação artística, mesmo que não concentre visibilidade internacional. O foco, segundo eles, é fortalecer a rede artística local e o patrimônio público.

O debate ressalta uma tensão entre financiamento público à cultura e metas de eficiência estatal. A avaliação do CNAP envolve análises de impacto, custos operacionais e o papel da instituição na promoção de criação nacional, sem prever conclusões precipitadas.

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