- A alta representante da União Europeia para Política Exterior, Kaja Kallas, afirma ser cética quanto aos planos de paz para a Ucrânia, alegando que não impõem obrigações à Rússia nem evitam nova invasão.
- Ela sustenta que a paz só é possível com concessões e obrigações para a Rússia e com reparações pelos danos causados.
- Kallas destaca o impacto das sanções, citando queda de cerca de 35% na receita do petróleo russo em novembro e um quadro econômico desafiador para o país.
- Ressalta a necessidade de maior unidade entre os 27 Estados-membros e de conduzir a política externa com base no direito internacional, mencionando a falta de consenso em Gaza.
- Enfatiza que a UE deve atuar com valores, buscar liderança pelo direito internacional e equilibrar firmeza com cooperação estratégica, incluindo com os Estados Unidos.
A alta representante da UE para Política Exterior, Kaja Kallas, afirmou em entrevista que os planos de paz para a Ucrânia não impõem obrigações a Moscou nem garantem a dissuasão de nova invasão. Ela avalia que as propostas não fortalecem a segurança de Kiev e apontam para continuidade do conflito.
Kallas destacou que, na prática, não há exigências claras para a Rússia e ressaltou a necessidade de um mecanismo para impedir nova agressão. Dados apresentados indicam queda de receitas russas com petróleo e gás, inflação elevada e aumento da dívida pública, influenciando o cenário de negociações.
Ela também enfatizou a importância de manter pressão econômica, citando sanções ao petróleo que reduziram significativamente a renda russa, e a necessidade de financiamento para reparações. O papel da UE, segundo a responsável, depende de unidade entre 27 Estados-membros e de uma postura firme nas negociações.
Perspectiva transacional e liderança europeia
Kallas defende uma diplomacia mais orientada por condições de cooperação, não apenas por ajuda financeira. A decisão sobre fundos para Ucrânia envolve riscos políticos, como a distribuição de carga entre os Estados-membros e a proteção de interesses da UE.
A entrevista aborda ainda a relação UE-EUA, o papel da multiplidade de atores e o valor do direito internacional. Segundo ela, a União Europeia deve agir como motor baseado em regras, mesmo diante de desafios de liderança global e de mudanças no cenário geopolítico.
Gaza, Palestina e cooperação internacional
A responsável reconhece dificuldades em chegar a uma posição comum sobre Gaza, mas afirma que a UE já aprovou medidas humanitárias e apoio à Autoridade Palestina. Atraem-se números e metas de financiamento para assistência humanitária, sem negar a necessidade de equilíbrio entre os interesses de diferentes partes.
Kallas ressalta que a UE não financia indiscriminadamente, defendendo que os recursos devem acompanhar compromissos e resultados. Ela cita números de ajuda humanitária e o papel da UE como principal doadora e defensora da solução de dois Estados.
Dimensões regionais: Mediterrâneo, África e América
A dirigente aponta para a criação de uma Comissaria para o Mediterrâneo e vê a Europa cada vez mais atenta a vizinhança, inclusive com foco em África. Ela compara a presença europeia com a de outras potências e defende políticas que fomentem empregos locais e prosperidade sem deslocamentos forçados.
Sobre América Latina e Caribe, a UE mantém cooperação em segurança com CELAC, com ações práticas para combater crime e financiamento ilícito. Em diálogo com parceiros regionais, a UE reforça o uso de ferramentas como Europol e intercâmbio de dados para enfrentar desafios transnacionais.