- Israel mantém um sistema paralelo de controle de entradas para Gaza, permitindo que empresários consigam importar itens de uso dual que são vetados para organizações humanitárias.
- Itens como geradores e polos de tenda, considerados de uso dual, passam a ser comercializados em Gaza, mantendo-se nos mesmos três pontos de controle usados para mercadorias comerciais.
- A prática cria um sistema de dois níveis, favorecendo o setor privado e dificultando o trabalho de organizações humanitárias que atendem aos palestinos.
- Organizações e especialistas, incluindo a diretora da Gisha, criticam a política, dizendo que a aplicação do controle não reflete apenas o risco do item, mas quem o utiliza.
- O contexto é de fluxo de ajuda abaixo do combinado no cessar-fogo, com necessidades de abrigo no inverno e riscos de desnutrição, enquanto restrições administrativas persistem.
Israel mantém um sistema paralelo de controles sobre as remessas para Gaza, permitindo que comerciantes tragam itens de uso dual que são proibidos para organizações humanitárias.
Itens básicos de sobrevivência, como geradores e polos de tendas, estavam na lista de bens de uso dual, com restrições previstas pelo governo israelense por suspeita de uso militar. Contudo, há pelo menos um mês, autoridades permitem que empresas ingressem esses itens para Gaza via canais comerciais.
Esses itens entram pelos mesmos três pontos de verificação, sob rigorosos controles, e já aparecem no mercado aberto de Gaza. Fontes diplomáticas, militares e humanitárias apontam que a prática favorece o comércio privado, dificultando o trabalho das organizações humanitárias.
Contexto e reações
Analistas apontam que o sistema de dois níveis reduz a eficácia das ações de apoio humanitário em meio à crise e cria oportunidades de lucro para traders. Representantes da agência da ONU destacam o incremento de preços e condições de acesso distintas entre setores.
Gisha, grupo de direitos humanos israelense, afirma que o controle atual não reflete o risco real dos itens e critica o foco na forma de uso. O COORDENADOR do CMCC sinaliza manter alinhamento entre política e operações humanitárias, sem detalhar mudanças.
Implicações humanitárias
Operadores de campo indicam que a entrada de itens não aprovados para organizações humanitárias pode ampliar a economia paralela local. Especialistas lembram que, enquanto o alimento continua com restrições, itens como geradores permanecem em áreas comerciais.
Dados oficiais indicam que o fluxo total de ajuda permanece abaixo do acordado em cessar-fogo, com fome ainda generalizada na região. O uso de pendentes de tenda de metal, embora crítico para o abrigo de inverno, segue sob regras estritas.
Entre na conversa da comunidade