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EUA divulgam vídeo de apreensão de petroleiro ligado à Venezuela no Atlântico

Imagens mostram navio da Guarda Costeira emparelhando com o petroleiro Marinera, que mudou de nome e passou a operar sob bandeira russa; caso eleva tensões entre Washington, Moscou e aliados

Os Estados Unidos divulgaram nesta semana um vídeo que registra a aproximação de um navio da Guarda Costeira norte-americana ao petroleiro Marinera — anteriormente chamado Bella 1 — durante a operação que resultou na apreensão da embarcação no Oceano Atlântico, na quarta-feira (7). O navio é ligado à Venezuela, está sob sanções internacionais e havia […]

Os Estados Unidos divulgaram nesta semana um vídeo que registra a aproximação de um navio da Guarda Costeira norte-americana ao petroleiro Marinera — anteriormente chamado Bella 1 — durante a operação que resultou na apreensão da embarcação no Oceano Atlântico, na quarta-feira (7). O navio é ligado à Venezuela, está sob sanções internacionais e havia adotado recentemente a bandeira da Rússia.

As imagens, divulgadas horas após a operação, mostram o momento em que o navio da Guarda Costeira emparelha com o petroleiro, mas não deixam claro em que etapa da ação o registro foi feito. Também não aparecem o helicóptero nem o embarque de tropas norte-americanas, ações relatadas por veículos internacionais como a agência Associated Press.

Operação após semanas de perseguição

Segundo autoridades dos EUA, a apreensão foi resultado de semanas de monitoramento e perseguição pelo Atlântico. A primeira tentativa de interceptação ocorreu em 16 de dezembro de 2025, quando o então Bella 1 se aproximava da Venezuela. Na ocasião, a tripulação resistiu à abordagem, alterou a rota e fugiu para águas internacionais, dando início a uma perseguição prolongada.

De acordo com a Guarda Costeira, a operação final foi conduzida pelo navio USCGC Munro, após um “esforço contínuo de vigilância marítima”. Assim que houve o emparelhamento, equipes táticas aplicaram “autoridades robustas de aplicação da lei marítima” em uma ação conjunta.

Mudança de nome, bandeira e histórico de sanções

O Marinera é um navio-tanque de grande porte, com capacidade para transportar até 318 mil toneladas de petróleo e produtos químicos. Ao longo de sua vida operacional, passou por diversas mudanças de nome e registro prática comum no setor marítimo. Entre outras denominações, já foi conhecido como Mtov, Overseas Mulan e Xiao Zhu Shan. Até recentemente, operava como Bella 1, sob bandeira da Guiana.

Na véspera do Natal, em meio à perseguição, o Ministério dos Transportes da Rússia concedeu uma licença temporária para que o navio operasse sob bandeira russa, após um pedido de ajuda da tripulação. Com isso, a embarcação passou a se chamar Marinera e a constar oficialmente como registrada na Rússia, com porto de origem em Sochi, no mar Negro.

O petroleiro já havia sido sancionado anteriormente pelos EUA, durante o governo Joe Biden, por transportar petróleo iraniano. Segundo Washington, o navio também é suspeito de atuar em redes de evasão de sanções envolvendo Venezuela, Rússia, China e Irã.

Escolta russa e reação internacional

Autoridades norte-americanas e a imprensa internacional relataram que o Marinera chegou a receber escolta de um submarino russo e de outras embarcações militares nos últimos dias. Segundo a agência Reuters, navios russos estavam na área geral da operação, embora não haja indícios de confronto direto entre forças dos dois países.

A apreensão foi repudiada oficialmente pela Rússia e pela China. O governo russo afirmou que a ação violou o direito marítimo internacional e que os EUA não tinham jurisdição para o uso da força, além de pedir “tratamento humano e digno” aos tripulantes. A Casa Branca, por sua vez, sustenta que a operação respeitou o direito internacional, alegando que o navio navegava sob bandeira falsa, o que permitiria a abordagem.

O Reino Unido confirmou apoio à operação após solicitação dos EUA. Segundo o secretário de Defesa britânico, John Healey, as Forças Armadas do país forneceram suporte operacional, incluindo o uso de bases, uma embarcação militar e vigilância aérea. Healey classificou o histórico do petroleiro como “nefasto”.

Escalada de tensões e bloqueio ao petróleo venezuelano

A apreensão do Marinera ocorre em meio a uma ofensiva mais ampla do governo do presidente Donald Trump contra o petróleo venezuelano. Em dezembro, Trump anunciou um “bloqueio total” a petroleiros ligados ao país e determinou que as Forças Armadas dos EUA concentrassem esforços quase exclusivamente na aplicação dessas medidas por pelo menos dois meses.

Segundo autoridades norte-americanas, o bloqueio “continua em vigor em todo o mundo”. Em 2025, pelo menos dois petroleiros venezuelanos já haviam sido apreendidos. Dados de rastreamento analisados pela Associated Press indicam que o reservatório do Marinera estava vazio no momento da captura.

Com o episódio, cresce o risco de uma escalada diplomática entre Washington e Moscou. Nos dias anteriores à apreensão, o Kremlin chegou a fazer um pedido formal à Casa Branca para que os EUA interrompessem a perseguição ao petroleiro. Até a última atualização, a Casa Branca, o Departamento de Estado e o governo russo não haviam apresentado novos comentários sobre o caso.

A presença militar dos EUA no Caribe também foi reforçada nos últimos meses, com mais de 15 mil soldados, incluindo um porta-aviões, navios de guerra e caças F-35. Segundo Washington, os meios militares são utilizados para garantir o cumprimento de sanções econômicas internacionais.

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