Uma ação da polícia de imigração dos Estados Unidos terminou na morte de uma mulher e desencadeou uma onda de protestos em Minneapolis e em outras grandes cidades do país, reacendendo o debate sobre o uso da força por agentes federais e a condução da política migratória do governo Donald Trump. No início da noite, […]
Uma ação da polícia de imigração dos Estados Unidos terminou na morte de uma mulher e desencadeou uma onda de protestos em Minneapolis e em outras grandes cidades do país, reacendendo o debate sobre o uso da força por agentes federais e a condução da política migratória do governo Donald Trump.
No início da noite, uma multidão se reuniu no local do incidente, em Minneapolis. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram milhares de pessoas marchando por bairros de maioria somali, áreas onde operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) têm sido intensificadas nos últimos meses. Manifestações também foram registradas em Nova York, em atos de solidariedade à vítima e de crítica às ações do governo federal.
Segundo registros hospitalares obtidos pela agência Associated Press, a mulher morta foi identificada como Renae Macklin Good. Em suas redes sociais, ela se descrevia como “poeta, escritora, esposa e mãe”, natural do Colorado e residente em Minneapolis. Fotografias publicadas em seu perfil a mostram sorrindo ao lado de uma criança pequena, além do uso de um emoji com a bandeira do orgulho LGBTQIA+.
Abordagem filmada por testemunhas

A morte ocorreu durante a abordagem a um veículo utilitário esportivo (SUV) que estava parado no meio da via. Imagens gravadas por testemunhas mostram um agente se aproximando do carro e exigindo que a motorista abrisse a porta, enquanto puxava a maçaneta. Em seguida, o veículo começa a se mover.
Outro agente, posicionado à frente do automóvel, saca a arma e dispara ao menos dois tiros à queima-roupa. O SUV segue em frente, colide com dois carros estacionados e para poucos metros depois. Pelas imagens disponíveis, não é possível afirmar com clareza se houve contato entre o veículo e o agente que efetuou os disparos.
A área onde ocorreu o tiroteio fica a menos de dois quilômetros do local em que George Floyd foi morto pela polícia em 2020. O episódio, à época, deu origem a protestos globais contra a violência policial e o racismo estrutural nos Estados Unidos, tornando Minneapolis um símbolo desse debate.
Versões em disputa

O caso rapidamente se tornou alvo de controvérsia política. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que o agente agiu em legítima defesa após a mulher “tentar atropelar os agentes e atingi-los com o veículo”. Em declaração oficial, ela classificou o episódio como um “ato de terrorismo doméstico”.
O presidente Donald Trump reforçou essa versão em uma publicação nas redes sociais. Segundo ele, a motorista teria agido de forma “violenta, deliberada e cruel”, e o presidente acusou a “esquerda radical” de promover ataques constantes contra agentes da lei. Trump também defendeu a atuação do ICE e reiterou sua política de endurecimento contra a imigração irregular.
Organizações de direitos civis, no entanto, questionam a narrativa oficial e pedem uma investigação independente. Para esses grupos, o uso de força letal durante uma abordagem de trânsito levanta dúvidas sobre proporcionalidade, treinamento e regras de engajamento adotadas por agentes federais.
Reação pública e clima de tensão

Nos protestos em Minneapolis, manifestantes carregaram cartazes com pedidos de justiça e entoaram palavras de ordem contra a violência policial. Líderes comunitários afirmam que a morte de Renae Good intensificou o medo entre imigrantes e minorias, especialmente em bairros onde operações do ICE são frequentes.
Analistas avaliam que o episódio pode ampliar o desgaste do governo Trump em temas ligados a direitos humanos, sobretudo em um contexto de polarização política. Ao mesmo tempo, a comparação inevitável com o caso George Floyd reforça a sensibilidade do tema em Minneapolis e mantém a cidade no centro das discussões nacionais sobre segurança pública e imigração.
As investigações sobre o caso seguem em andamento. Enquanto isso, os protestos continuam e a morte de Renae Macklin Good se soma a uma lista de episódios que desafiam os Estados Unidos a revisar, mais uma vez, os limites do uso da força pelo Estado e o impacto de suas políticas migratórias na vida de civis.
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