- O procurador-geral do Reino Unido, Richard Hermer, disse que os líderes podem usar a “statecraft” (diplomacia) ao decidir quando cobrar aliados por violações do direito internacional.
- As declarações são as primeiras públicas desde o ataque dos EUA à Venezuela, com Hermer evitando apontar diretamente para a gestão de Donald Trump.
- Ele defende que, num cenário mundial complexo, é preciso considerar fatores diplomáticos ao avaliar medidas contra aliados.
- No Reino Unido, há cobrança de uma postura mais firme por parte de setores do Labour em relação aos EUA, enquanto o governo não chegou a classificar o ataque como violação do direito internacional.
- Hermer também ficou no foco ao defender Keir Starmer e mencionar diferenças entre cumprir o direito internacional e empregar a diplomacia para julgar ações de outros países.
O advogado-geral do Reino Unido afirmou que é legítimo considerar relações diplomáticas ao decidir se deve ou não condenar violações do direito internacional. A declaração surge após críticas à hesitação britânica em condenar o ataque dos EUA à Venezuela.
Em entrevista ao Guardian, Richard Hermer ressaltou que, em um cenário internacional complexo, líderes precisam usar a diplomacia para ponderar vários fatores antes de responsabilizar aliados por eventuais infrações legais. Ele afirmou que a questão é teórica, não dirigida a um país específico.
A entrevista ocorre em meio a debates no Reino Unido sobre a influência britânica sobre a Casa Branca, com membros do Parlamento pressionando o governo a adotar uma postura mais firme em relação à ação dos EUA. O governo tem evitado caracterizar o ataque como violação do direito internacional.
Hermer defendeu a manutenção do compromisso britânico com a ordem baseada nas regras internacionais, mesmo diante de pressões de potências como a Rússia. Segundo ele, agir apenas com demonstração de poder não seria do interesse nacional, mantendo o foco na proteção de direitos internos.
O político próximo de Keir Starmer também separou o desempenho do governo em cumprir o direito internacional da prática de diplomacia, destacando que existem vários fatores a considerar ao discutir quando denunciar condutas de aliados. Ele citou a necessidade de equilíbrio entre princípios legais e estratégias de estado.
No campo doméstico, o advogado-geral comentou sobre propostas de reformas políticas, argumentando que uma eventual saída de direitos trabalhistas seria prejudicial. Ele também expressou preocupações sobre o tipo de liderança caso emergisse um eventual governo reformista, mantendo a defesa da legalidade e dos direitos civis.
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