- Um rascunho de acordo sobre comércio agrícola traz a chamada “Farage clause”, que exigiria compensação caso uma das partes se retire, para cobrir custos de reativar controles de fronteira e infraestrutura.
- A cláusula é vista como forma de a UE não ficar no prejuízo se um governo britânico cancelar o acordo sanitário e fitossanitário (SPS) no futuro.
- O Fundo de ajuste à Brexit, criado em dois mil e vinte, soma €5,4 bilhões para ajudar Estados-membros a lidar com impactos da saída do Reino Unido; Irlanda recebeu €920 milhões e a Holanda mais de €800 milhões para reforçar checagens e inspeções.
- Autoridades britânicas dizem que tais disposições são comuns em acordos internacionais e funcionariam em ambas as direções, obrigando também a UE a compensar o Reino Unido se falhar o acordo.
- As negociações sobre SPS ainda não começaram e podem levar meses; há também temas difíceis, como retorno ao programa Erasmus e mecanismos de carbono para bens exportados à UE.
Autoridades da União Europeia apontam a possibilidade de uma garantia de compensação por parte do Reino Unido caso um governo futuro esteja disposto a romper o acordo de reconfiguração pós-Brexit. O destaque fica por conta de um texto provisório sobre o comércio agrícola, que prevê a reintegração de controles fronteiriços caso uma das partes se retire do pacto.
O que está em jogo é a chamada cláusula de término, apelidada de Farage pelos diplomatas da UE. Ela surge como lembrança rígida do custo de um divórcio que levou a um fundo de ajuste de 5,4 bilhões de euros para mitigar impactos nos estados-membros. O objetivo é evitar que a UE tenha prejuízo financeiro decorrente de uma possível saída do acordo.
Segundo o Financial Times, o texto em discussão impõe que, em caso de retirada de qualquer lado, o custo de reativar controles fronteiriços e infraestrutura seja arcado pela parte que abandonar o acordo. Procuradores britânicos veem a cláusula como prevista em tratados internacionais, argumentando que também obrigaria o EU a pagar caso decida abandonar o pacto.
A versão britânica
Especialistas ouvidos no governo do Reino Unido afirmam que tais disposições são rotineiras em acordos comerciais internacionais e que a cláusula funciona de modo a equilibrar responsabilidades entre as partes. Uma fonte trabalhista descreveu as condições como elementos legais básicos, não como afronta democrática.
O SPS (sanitary and phytosanitary) ainda não teve início de negociação, mas tem previsão de abertura ainda neste mês. O tema é complexo e pode levar meses para ser concluído, acompanhado de questões ligadas ao retorno do programa Erasmus, que também integra o pacote de renegociação.
Desafios adicionais
Outro ponto envolve a possível adoção de um mecanismo de ajuste de carbono para bens exportados à UE, com o cronograma inicial falhando em chegar a acordo antes do período festivo. Analistas destacam que as tratativas sobre emissões dificultam a conclusão global do conjunto de acordos.
Anand Menon, diretor da instituição UK in a Changing Europe, afirma que a UE não está surpresa com o endurecimento das negociações, ressaltando que o bloco pode exigir concessões significativas. O avanço das negociações depende de várias frentes, ainda sem datas definidas, segundo fontes próximas aos debates.
As autoridades da Comissão Europeia e o governo do Reino Unido foram solicitadas a comentar as informações.
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