- Autoridades iranianas prenderam membros-chave do movimento de protesto nas últimas duas semanas, segundo o chefe de polícia Ahmad-Reza Radan.
- A procuradoria-geral já havia alertado que quem protestasse ou ajudasse manifestantes poderia ser considerado “inimigo de Deus”, com possibilidade de pena de morte.
- O país enfrenta o segundo fim de semana de protestos após crise cambial e cobrança por reformas políticas; críticas dizem que internet foi cortada para facilitar a repressão.
- Dados de organizações de direitos humanos apontam ao menos 116 mortes, e cerca de 2.600 pessoas presas; jovens foram atingidos por tiros de longa distância e por armas de fogo.
- Nos EUA, o presidente Donald Trump ameaçou intervir, enquanto autoridades iranianas alertaram que ataques seriam alvo legítimo de retaliação, com monitoramento de ações de Israel e de potências estrangeiras.
A polícia da Inglaterra? Não. No Irã, autoridades informaram a prisão de membros-chave do movimento de protesto que tem sacudido o país nas últimas duas semanas, em meio a uma escalada de tensões com os Estados Unidos. Segundo o chefe de polícia Ahmad-Reza Radan, as detenções ocorreram na noite de ontem e visam os principais componentes dos distúrbios; o número de presos não foi divulgado. As autoridades indicaram que os envolvidos deverão responder a processos legais.
A Procuradoria Geral já havia sinalizado que manifestantes ou quem os auxilie pode ser enquadrado como “inimigo de Deus”, uma acusação sujeita à pena de morte. O contexto de instabilidade é considerado o mais grave dos últimos anos, com a inflação e a crise econômica alimentando as reivindicações por reformas políticas e, em alguns casos, pela queda do governo.
O país viveu cortes de acesso à internet desde quinta-feira, gerando um blackout generalizado. Organizações de direitos humanos afirmam que a internet foi usada para ampliar a repressão, com o uso de força letal e tiros de alta proximidade para dispersar multidões. O balanço de vítimas aproxima-se de 116 mortos e cerca de 2.600 detidos, segundo a Anistia dos Direitos Humanos Ativistas (HRNA), com a maioria das mortes atribuídas a armas de fogo.
Ameaça de intervenção norte-americana
Em meio aos relatos de violência, o presidente dos EUA deixou claro, em plataformas de redes sociais, que está disposto a intervir caso haja repetição de massacres contra manifestantes. Autoridades de Washington também discutem opções militares para um possível ataque, sem uma decisão formal anunciada até o momento. Parlamentares aliados repetiram mensagens de apoio aos iranianos que protestam.
A resposta de Teerã não tardou a chegar. O porta-voz do parlamento afirmou que, em caso de ataque, alvos militares dos EUA e seus postos na região podem ser considerados legítimos, reiterando o ceticismo sobre qualquer intervenção externa. O governo iraniano acompanhou de perto a repercussão internacional, com o debate centrado em soberania e segurança nacional.
Protestos persistem em várias cidades
Mesmo com as prisões, registros de protestos continuaram durante a noite, com concentrações em regiões de Teerã e em Mashhad, cidade natal do líder supremo. Vídeos nas redes sociais mostram multidões batendo panelas, cantando slogans e formando bloqueios para dificultar a passagem de veículos da polícia. Fontes locais descrevem o emprego de armas de fogo contra manifestantes, em incidentes que não foram comedidos pelas autoridades.
Observadores apontam que, apesar do endurecimento, a mobilização permanece ativa, alimentada pela desvalorização cambial e por descontentamento com políticas econômicas. Organizações de direitos humanos destacam a dificuldade de documentação completa devido ao apagão de comunicações, mas indicam relatos consistentes de altas fatalidades entre os manifestantes.
Contexto regional
Analistas ressaltam que o prolongamento da crise ocorre em um momento de fragilidade econômica interna e de tensões regionais, após conflitos recentes com Israel. A situação manteve o foco internacional na região, com avaliações distintas sobre impactos de uma possível intervenção externa e seus desdobramentos para o equilíbrio no Oriente Médio.
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