- O Partido Socialista francês não votará a favor de duas moções de censura apresentadas pela oposição de direita e pela esquerda radical, por a França não ter bloqueado o acordo UE‑Mercosul.
- O acordo UE‑Mercosul, em negociação há cerca de vinte e cinco anos, é o tema central das moções e envolve o governo de Emmanuel Macron.
- O primeiro-ministro Sebastien Lecornu quer evitar censura ou dissolução da Assembleia Nacional e pediu ao Interior que prepare eleições legislativas para 15 e 22 de março, caso o governo desmorone.
- As moções devem ser votadas no início da próxima semana, durante a retomada do debate sobre o orçamento.
- A comissão parlamentar rejeitou o orçamento na forma atual, e o governo chamou partidos, exceto a RN (National Rally) e a França Insoumise para uma reunião de última hora na pasta da Fazenda para buscar um acordo.
O Partido Socialista da França anunciou que não votará a favor de duas moções de censura apresentadas por oposicionistas de direita e de esquerda extremista, por a França não ter bloqueado o acordo de comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A declaração foi feita pelo líder Olivier Faure à emissora BFMTV. O acordo Mercosur é resultado de décadas de negociação entre a UE e os países do Mercosul.
Analistas apontaram, na semana passada, que a aprovação dessas moções era improvável, especialmente a apresentada pela União Nacional (RN), maior partido na Assembleia Nacional, já que as forças de esquerda costumam se abster de apoiá-las. Ainda assim, o tema evidencia a tensão política que o governo de Macron enfrenta a menos de um ano da eleição de 2027.
Situação política e próximos passos
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu informou ao jornal Le Parisien que não busca censura nem dissolução da Assembleia. Em paralelo, o governo pediu ao Ministério do Interior preparar possíveis eleições legislativas para as mesmas datas das municipais, em 15 e 22 de março, caso haja colapso governamental.
Lecornu reiterou que a prioridade é a estabilidade e evitar o caos institucional. Em entrevista, ele afirmou que a moção de censura mandaria um sinal negativo ao âmbito externo, enquanto a situação internacional exige responsabilidade. O governo discute com partidos, exceto RN e os Verdes-Franceses, para chegar a um acordo orçamentário.
O discurso da liderança vem após um comitê parlamentar rejeitar, no fim de semana, o projeto de orçamento em sua forma atual. A oposição continua pressionando para votar medidas de contenção de gastos. As negociações de orçamento devem retomar na terça-feira, com expectativa de avanços limitados.
Entre na conversa da comunidade