- O chefe do Partido Comunista, To Lam, busca acumular os cargos de chefe do partido e presidente do país, em movimento que alinharia a estrutura vietnamita à China.
- Cerca de 1.600 delegados devem se reunir, na próxima semana, em Hanói, para o congresso anual do partido, que define líderes e metas para o estado de partido único.
- Em dezembro, Lam pediu a permanência como chefe do partido e também a presidência; há relatos conflitantes sobre o apoio ao cargo de presidente, que hoje é principalmente cerimonial e envolve o setor militar.
- Aliados defendem a fusão dos dois cargos como evolução natural da estrutura política, enquanto céticos alertam para riscos de ampliar o poder de um líder e fortalecer a segurança.
- Se confirmado, a combinação de cargos poderia alterar o equilíbrio com o setor militar, que pode manter autonomia sobre promoções de oficiais, segundo fontes. O congressso começará em 19 de janeiro para eleger o novo comitê central.
O chefe do Partido Comunista do Vietnã, To Lam, busca conciliar as funções de líder partidário com a presidência do país, em movimento que aproximaria a estrutura vietnamita da China, onde o presidente acumula papel no partido e no Estado.
A notícia foi veiculada por fontes que disseram à Reuters que Lam pleiteia as duas funções. Cerca de 1.600 delegados devem se reunir, na próxima semana, em Hanói, para o congresso quinzenal do partido.
Segundo relatos, o comitê central já respaldou Lam como chefia do partido, mas há divergência sobre a presidência. Três oficiais disseram que o apoio existe, outro afirmou que o veredito não está definido, e o restante depende dos delegados.
O congresso, que se estende por uma semana, elegerá 200 membros para o novo comitê central. A escolha do presidente, do primeiro-ministro e do presidente da Assembleia dependerá dos votos na sequência, pelo politburo.
Se for confirmado, o encaixe de duas funções por Lam representaria ruptura com o modelo tradicional de compartilhamento de poder no Vietnã. A depender dos delegados, a fusão pode consolidar reformas econômicas e exportar influência externa.
Especialistas divergem sobre o impacto. Algumas autoridades veem o movimento como natural para agilizar decisões; outros alertam para maior autonomia militar diante de eventuais restrições à presidência.
O histórico recente aponta que a fusão já ocorreu brevemente em 2024, quando Lam ocupou as duas funções por cerca de três meses. A expectativa é de que o politburo proponha o novo formato para a votação dos delegados.
A organização do novo gabinete envolve também a definição do tamanho do politburo, que pode ficar entre 17 e 19 membros, conforme votação. A nomeação do presidente, do premiê e do presidente da Assembleia seguirá para aprovação parlamentar.
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