- O presidente Museveni, no poder desde 1986, busca o sétimo mandato; o principal adversário é Bobi Wine, de 43 anos.
- Outros candidatos relevantes são Mugisha Muntu e Nandala Mafabi.
- Questões-chave: Museveni promete manter ganhos de estabilidade e quer transformar Uganda em país de renda média, com indústria fortalecida e petróleo; Wine defende libertades políticas, combate à corrupção e revisão de acordos com empresas petrolíferas.
- Há riscos de violência: eleições anteriores terminaram com repressão a opositores, centenas de opositores detidos e ao menos uma morte em evento de campanha; autoridades proibiram transmissões ao vivo de tumultos.
- Olhares internacionais: Uganda é aliado estratégico de países ocidentais, com crescimento de laços com China e outras potências; o petróleo no Lago Albert deve começar a produzir este ano, e há especulação sobre a possibilidade de sucessão presidencial pelo filho de Museveni.
O Uganda realiza eleições presidenciais, com o presidente em exercício buscando um sétimo mandato. Museveni, que chegou ao poder em 1986, concorre novamente, enfrentando principalmente Bobi Wine, de 43 anos, que ficou em segundo lugar em 2021 com 35% dos votos. Outros candidatos de destaque são Mugisha Muntu, ex-chefe militar, e Nandala Mafabi, deputado que foi líder da oposição.
A corrida ocorre em meio a denúncias de violações de direitos humanos e de violência política. Wine acusa Museveni de “40 anos de ditadura”, enquanto o governo nega abusos generalizados. Oito de setembro, o foco é também a luta contra a corrupção e a criação de empregos para jovens.
CANDIDATOS E PROPOSTAS
Museveni tem defendido a manutenção de ganhos de estabilidade, com planos de transformar a Uganda em país de renda média. A estratégia passa por ampliar a manufatura, agregar valor a exportações agrícolas como café e algodão, e explorar a produção de petróleo prevista para este ano.
Wine, por sua vez, demanda ampliação das liberdades políticas, prometendo combater a corrupção e aumentar a participação dos jovens na economia. Também afirmou que revisará acordos de produção com grandes empresas de petróleo, caso eleito.
RISCO E SEGURANÇA
Eleições anteriores em Uganda foram marcadas por violência e repressão a opositores. Forças de segurança já registraram prisões de centenas de simpatizantes da oposição e, em um evento de campanha, houve morte de um apoiador. Autoridades locais anunciaram ainda medidas como a proibição de transmissões ao vivo de ocorrências de violência.
Movimentos de protesto em países vizinhos, com jovem descontentamento, reforçam as preocupações sobre instabilidade regional ligada a esse pleito.
INTERESSES EXTERNOS
Uganda tem mantido elo estratégico com potências ocidentais, enviando tropas para combater extremismo na região e recebendo refugiados. Os Estados Unidos criticaram eleições anteriores, imporam sanções a alguns dirigentes, e recentemente sinalizaram menor envolvimento direto neste pleito.
A Uganda expandiu relações com China, Rússia e Emirados Árabes Unidos. A estatal chinesa CNOOC é parceira-chave no campo de Lake Albert, cuja produção de petróleo pode começar ainda neste ano.
O QUE OBSERVADORES VÃO ACOMPANHAR
Apesar de possível resultado previsível, analistas observam o pleito para entender futuras sucessões presidenciais. A expectativa é que qualquer margem de vitória de Museveni seja crucial para a eventual definição de liderança futura, com foco também no papel de Muhoozi Kainerugaba, filho do presidente, citado como potencial sucessor.
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