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Ecossistema de tecnologia contrabandeada mantém o Irã conectado ao exterior

Starlink mantém uma última via de comunicação do Irã com o exterior durante o apagão, enquanto o governo intensifica buscas e criminaliza o uso

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
An Iranian young man using a VPN on his smartphone.
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  • A internet caiu no Irã na quinta-feira à tarde, sendo o maior bloqueio já visto no país.
  • Mesmo em meio ao apagão, alguns iranianos conseguem enviar fotos e vídeos para o exterior usando ferramentas de bypass, como proxies do Telegram, Delta Chat e o navegador Ceno.
  • Terminais Starlink foram contrabandeados para o Irã e formam a parte mais significativa do ecossistema de conectividade; estimativas apontam entre cinquenta mil e cem mil terminais no país.
  • O uso desses equipamentos é arriscado: autoridades pesquisam terminais, bloqueiam áreas com interferência e, desde 2025, possuir Starlink pode ser considerado espionagem para Israel, com pena de até dez anos de prisão.
  • Mesmo com o acesso limitado, boa parte da rede continua sem retorno, e o governo analisa a implementação de uma “internet nacional” com sites, serviços e aplicativos controlados pelo Estado, potencialmente reduzindo a conectividade com a rede global.

O apagão de internet atingiu grande parte do Irã na tarde de quinta-feira, representando o mais severo corte já registrado. Proibições e bloqueios escalaram após dias de protestos contra o governo, limitando o acesso online. Ainda assim, uma pequena parcela da população consegue enviar imagens e mensagens para fora do país, e às vezes fazer chamadas.

Usuários contam com uma rede de ferramentas para contornar a censura, como proxies do Telegram, o serviço de mensagens descentralizado Delta Chat e o navegador Ceno. Terminais Starlink emergem como o elo mais significativo, conectando o país a milhares de satélites de órbita baixa.

Terminais Starlink no Irã

Especialistas estimam entre 50 mil e 100 mil terminais Starlink no Irã, usados por uma fração da população de mais de 90 milhões. A disseminação ocorre há cerca de dois anos, com usuários correndo riscos de segurança ao manterem as conexões ativas.

O impacto é localmente limitado: um único terminal pode servir várias casas, mas o total de usuários é considerado restrito. Analistas dizem que parte da internet de fora depende dessas conexões para envio de mensagens ou dados críticos.

Reação do governo e riscos legais

Autoridades perseguem terminais, com ataques de bloqueio de sinais e drones de vigilância para identificar antenas. Uma lei de 2025 classifica possuir terminal Starlink como espionagem para Israel, com pena de até 10 anos de prisão.

Especialistas ressaltam que o equipamento utiliza equipamento de alto custo e potência, suficiente para interferir sinais em áreas específicas, porém não é viável para cobrir o país inteiro. A tecnologia empregada é de origem militar e exige recursos consideráveis.

Perspectivas futuras

Para quem não possui terminal, o governo divulgou uma lista de sites que estariam disponíveis sob um possível retorno parcial da rede. Entre eles, buscadores, mapas e serviços de mensagens domésticos, além de uma versão nacional de streaming.

Analistas afirmam que o Irã pode avançar para uma internet nacional mais restrita, com menos conectividade externa. Segundo especialistas, esse cenário não é apenas temporário e pode se manter por um período prolongado.

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