- Bronwen Maddox, diretora da Chatham House, afirma que a gestão de Donald Trump encerrou a aliança ocidental, cobrando do Reino Unido uma política externa mais independente em relação aos EUA e à China.
- Ela descreve o abandono de princípios do direito internacional e da ordem liberal como uma “revolução” e diz que os aliados precisam pensar em se defender contra os EUA, tanto em comércio quanto em segurança.
- Maddox sustenta que o Reino Unido tem feito um equilíbrio instável, dificultando entender a política externa e que os aliados devem defender valores como liberdade individual, democracia constitucional e livre comércio.
- Ela alerta para riscos, citando a Venezuela e ameaças de tomar território, e afirma que, se houver uso da força, isso significaria o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
- Por fim, defende que o Reino Unido assuma posições públicas sobre princípios, orientando o líder trabalhista a endurecer a postura em relação à China e a reconsiderar dependência de tecnologia chinesa em turbinas eólicas e na educação de estudantes chineses.
O fim da aliança ocidental, segundo a diretora do Chatham House, impõe ao Reino Unido uma política externa mais audaciosa e independente, especialmente em relação aos EUA e à China. Bronwen Maddox, em sua palestra anual, afirmou que o país precisa defender os princípios que sustentam a ordem liberal para evitar que eles se tornem apenas história.
Ela apontou que a política britânica tem mantido um equilíbrio ágil, porém pouco claro. A leitura é de que os aliados diante de uma postura imprevisível dos EUA devem considerar defesas e trocas comerciais de forma autônoma, caso seja necessário.
Maddox descreveu o que vê como uma revolução na postura dos EUA, marcada por impulsividade, uso frequente de ações militares e rejeição ao direito internacional. Segundo ela, países aliados devem pensar na defesa própria em áreas de comércio e segurança.
Para a britânica, é possível falar no fim da aliança ocidental como conceito: um conjunto de nações que partilhavam liberdades, democracia constitucional e livre comércio no cerne de suas prosperidades e influência global.
A crítica recai sobre a recente rejeição de princípios do direito internacional que os EUA ajudaram a moldar. Como exemplo, ela citou a Venezuela e afirmou que a pretensa aquisição de território pela força, em caso de uso de força, representaria um golpe devastador para a OTAN.
Em entrevista ao Guardian, Maddox garantiu que o Chatham House precisa incentivar novos blocos e pactos que defendam princípios diante do descompasso entre grandes potências. Ela também ressaltou o dilema do Reino Unido entre pragmatismo e firmeza diante de divergências normativas.
A analista destacou que o governo britânico não pode abrir mão de dois pilares: manter ajuda à defesa, inclusive para a Ucrânia, e manter relações comerciais com os EUA. Ela assinalou que reacções fortes da administração Trump a até comentários considerados relevantes pelo governo britânico não ajudam.
Para sustentar autonomia, Maddox sugeriu que o Reino Unido seja capaz de divergir publicamente, citando como exemplo a necessidade de defender a BBC diante de uma ação legal movida por Donald Trump que envolve financiamento público e poderia impactar a instituição.
Ela avaliou ainda que as ações dos EUA para desafiar leis britânicas sobre redes sociais refletem interesses de grandes empresas de tecnologia e, nesse contexto, pediu maior clareza sobre como a monetização da presidência pode afetar instituições norte-americanas.
Antes de uma possível visita de Keir Starmer à China, Maddox pediu postura mais firme em relação a uma embaixada chinesa com grande presença no Reino Unido. Ela questionou a necessidade de tamanho aparato diplomático mantido no momento.
Outro tema envolve o papel da China na oferta de tecnologia para turbinas eólicas britânicas. Maddox alertou para o peso de a China ter acesso amplo a dados energéticos e avaliou que o debate sobre dependência tecnológica deve ganhar impulso na política externa após o debate sobre fronteiras de investimento.
Ela sugeriu que o Labour adote decisões firmes sobre a dependência de estudantes chineses para financiar universidades britânicas, destacando o custo de manter relações com um país que busca reforçar sua presença global.
A especialista chamou atenção para a necessidade de organizar blocos regionais como fontes de ordem diante do enfraquecimento da ordem internacional. Muitos países deverão priorizar defesa e buscar aliados com interesses semelhantes, sem abrir mão de autonomia frente aos EUA.
Maddox advertiu que a China deve buscar ocupar o vácuo deixado por uma postura americana mais assertiva, ao mesmo tempo em que pode questionar a aplicabilidade de alguns tratados internacionais. Em seu entendimento, o desafio é encontrar coalizões de interesse comum.
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