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Fim da aliança ocidental exige Reino Unido ser mais audaz

Fim da aliança ocidental força o Reino Unido a uma política externa mais audaciosa e a buscar coalizões regionais diante de Estados Unidos e China

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Por Revisado por: Time de Jornalismo Portal Tela
Donald Trump and Keir Starmer at Chequers last September. ‘We have seen in so many ways how the Trump administration can react very, very strongly to small things that people say,’ Bronwen Maddox said.
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  • Bronwen Maddox, diretora da Chatham House, afirma que a gestão de Donald Trump encerrou a aliança ocidental, cobrando do Reino Unido uma política externa mais independente em relação aos EUA e à China.
  • Ela descreve o abandono de princípios do direito internacional e da ordem liberal como uma “revolução” e diz que os aliados precisam pensar em se defender contra os EUA, tanto em comércio quanto em segurança.
  • Maddox sustenta que o Reino Unido tem feito um equilíbrio instável, dificultando entender a política externa e que os aliados devem defender valores como liberdade individual, democracia constitucional e livre comércio.
  • Ela alerta para riscos, citando a Venezuela e ameaças de tomar território, e afirma que, se houver uso da força, isso significaria o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
  • Por fim, defende que o Reino Unido assuma posições públicas sobre princípios, orientando o líder trabalhista a endurecer a postura em relação à China e a reconsiderar dependência de tecnologia chinesa em turbinas eólicas e na educação de estudantes chineses.

O fim da aliança ocidental, segundo a diretora do Chatham House, impõe ao Reino Unido uma política externa mais audaciosa e independente, especialmente em relação aos EUA e à China. Bronwen Maddox, em sua palestra anual, afirmou que o país precisa defender os princípios que sustentam a ordem liberal para evitar que eles se tornem apenas história.

Ela apontou que a política britânica tem mantido um equilíbrio ágil, porém pouco claro. A leitura é de que os aliados diante de uma postura imprevisível dos EUA devem considerar defesas e trocas comerciais de forma autônoma, caso seja necessário.

Maddox descreveu o que vê como uma revolução na postura dos EUA, marcada por impulsividade, uso frequente de ações militares e rejeição ao direito internacional. Segundo ela, países aliados devem pensar na defesa própria em áreas de comércio e segurança.

Para a britânica, é possível falar no fim da aliança ocidental como conceito: um conjunto de nações que partilhavam liberdades, democracia constitucional e livre comércio no cerne de suas prosperidades e influência global.

A crítica recai sobre a recente rejeição de princípios do direito internacional que os EUA ajudaram a moldar. Como exemplo, ela citou a Venezuela e afirmou que a pretensa aquisição de território pela força, em caso de uso de força, representaria um golpe devastador para a OTAN.

Em entrevista ao Guardian, Maddox garantiu que o Chatham House precisa incentivar novos blocos e pactos que defendam princípios diante do descompasso entre grandes potências. Ela também ressaltou o dilema do Reino Unido entre pragmatismo e firmeza diante de divergências normativas.

A analista destacou que o governo britânico não pode abrir mão de dois pilares: manter ajuda à defesa, inclusive para a Ucrânia, e manter relações comerciais com os EUA. Ela assinalou que reacções fortes da administração Trump a até comentários considerados relevantes pelo governo britânico não ajudam.

Para sustentar autonomia, Maddox sugeriu que o Reino Unido seja capaz de divergir publicamente, citando como exemplo a necessidade de defender a BBC diante de uma ação legal movida por Donald Trump que envolve financiamento público e poderia impactar a instituição.

Ela avaliou ainda que as ações dos EUA para desafiar leis britânicas sobre redes sociais refletem interesses de grandes empresas de tecnologia e, nesse contexto, pediu maior clareza sobre como a monetização da presidência pode afetar instituições norte-americanas.

Antes de uma possível visita de Keir Starmer à China, Maddox pediu postura mais firme em relação a uma embaixada chinesa com grande presença no Reino Unido. Ela questionou a necessidade de tamanho aparato diplomático mantido no momento.

Outro tema envolve o papel da China na oferta de tecnologia para turbinas eólicas britânicas. Maddox alertou para o peso de a China ter acesso amplo a dados energéticos e avaliou que o debate sobre dependência tecnológica deve ganhar impulso na política externa após o debate sobre fronteiras de investimento.

Ela sugeriu que o Labour adote decisões firmes sobre a dependência de estudantes chineses para financiar universidades britânicas, destacando o custo de manter relações com um país que busca reforçar sua presença global.

A especialista chamou atenção para a necessidade de organizar blocos regionais como fontes de ordem diante do enfraquecimento da ordem internacional. Muitos países deverão priorizar defesa e buscar aliados com interesses semelhantes, sem abrir mão de autonomia frente aos EUA.

Maddox advertiu que a China deve buscar ocupar o vácuo deixado por uma postura americana mais assertiva, ao mesmo tempo em que pode questionar a aplicabilidade de alguns tratados internacionais. Em seu entendimento, o desafio é encontrar coalizões de interesse comum.

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