- O governo de Uganda cortou o acesso à internet de forma nacional a partir das 18h locais, antes da eleição presidencial de quinta-feira, em meio a preocupações com desinformação e fraude eleitoral.
- A descarga do app de mensagens descentralizado Bitchat disparou, tornando-se o aplicativo mais baixado do país conforme a população se prepara para o apagão.
- Bitchat funciona de forma peer-to-peer via Bluetooth, cria redes mesh sem depender da infraestrutura tradicional, e não requer números de telefone ou cadastro.
- A Comissão de Comunicações de Uganda justificou a suspensão para prevenir riscos envolvendo desinformação, fraude eleitoral e segurança nacional; serviços essenciais ficaram com exceções.
- NetBlocks confirmou interrupção em escala nacional; chamadas de voz e SMS permaneceram operacionais, com possíveis bloqueios ao aplicativo caso seja necessário.
O governo de Uganda ordenou o bloqueio nacional de internet na terça-feira, antes das eleições presidenciais de quinta. A medida impactou serviços de mobile broadband, fibra e internet via satélite, sob justificativa de evitar desinformação e fraude eleitoral. Museveni busca a sétima vitória presidencial contra Bobi Wine.
A Comissão de Comunicações de Uganda orientou operadoras a suspender o acesso público à internet a partir das 18h locais. A decisão cita riscos à segurança nacional durante o pleito e foi acompanhada de penalidades para quem descumprir a ordem.
Antes do blackout, aumentou a procura pelo aplicativo descentralizado Bitchat, que funciona offline e usa conectividade entre dispositivos via Bluetooth. O aplicativo não exige contas, números de telefone ou infraestrutura central.
Bitchat funciona em redes mesh, com mensagens divididas em pequenos blocos e transmissões entre até sete pontos de retransmissão próximos. O sistema armazena mensagens para envio posterior, em até 12 horas, durante quedas de conexão.
A medida de Uganda se assemelha a ações vistas na eleição de 2021, quando a internet também ficou indisponível em larga escala. Autoridades afirmam que a suspensão é necessária para evitar impactos à ordem pública durante o processo.
Entidades de direitos humanos e oposicionistas relataram detenções, uso de gás lacrimogêneo e violência em comícios. O governo ordenou também o fechamento de dois grupos de direitos humanos locais, citando atividades prejudiciais à segurança.
Governos e observadores acompanham com cautela o desenrolar das eleições, avaliando impactos das restrições de comunicação nos direitos de expressão e no monitoramento de irregularidades eleitorais. O pleito ocorre nesta semana no país.
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