- Um cidadão palestino com passaporte israelense foi concedido status de refugiado no Reino Unido, com base no “medo bem fundamentado de perseguição”, possivelmente o primeiro caso desse tipo no país.
- A decisão veio após uma longa batalha jurídica, com reversões do Home Office e intervenção de órgãos de defesa de imigrantes, a JCWI.
- Hasan, que nasceu em Israel e vive no Reino Unido há a maior parte da vida, alegou perseguição caso retornasse a Israel por participação em manifestações pró-palestinas e pela condição de palestino e muçulmano.
- Em 11 de março de 2024, Hasan foi informado de que receberia o status de refugiado, sujeito a checagens de segurança; no dia seguinte, a decisão foi revogada após intervenção do então ministro do Interior, James Cleverly.
- A vitória veio após revisão judicial: o Home Office teve o pedido negado de recurso e Hasan recebeu o status de refugiado pouco antes do Natal; ainda há entraves como a emissão da eVisa, necessária para moradia e trabalho.
Um cidadão palestino de Israel recebeu asilo no Reino Unido com base em um “medo bem fundamentado de persecuição”, mesmo após uma tentativa anterior do ex-secretário do Interior de bloquear o pedido.
Hasan, como não pode ser identificado, seria o primeiro palestino com passaporte israelense a obter status de refugiado no país, segundo apuração exclusiva. A decisão ocorreu apenas após reviravoltas na pasta e a tramitação de uma disputa judicial longa.
Nascido em Israel, Hasan passou a maior parte da vida no Reino Unido ao lado da mãe e dos irmãos, mas teve o direito de permanecer negado até então. Ele alegou perseguição caso retornasse a Israel por participação em manifestações pró-Palestina e por sua condição de palestino e muçulmano.
O caso começou com a recusa inicial do pedido de asilo. Em 11 de março de 2024, pouco antes da audiência de primeira instância, a decisão de conceder o status foi anunciada, desde que fossem aprovadas as checagens de segurança. Após cobertura da imprensa, o Home Office recuou ante intervenção de James Cleverly, então secretário do Interior.
A JCWI (Conselho Conjunto para o Bem-Estar dos Imigrantes) apoiou Hasan em recurso judicial, que resultou na reavaliação e na confirmação do status de refugiado pouco antes do Natal. A decisão ocorreu após o órgão ter sido negado recurso pela parte adversa. Não houve concessão de visto eletrónico para facilitar moradia e emprego durante o litígio.
Documentos apresentados no processo mostraram evidências de discriminação sistêmica contra palestinos em Israel, incluindo aspectos de apartheid, remoção forçada, restrições de direitos e exclusão social, conforme o registro judicial. As informações reforçam o argumento de risco de perseguição.
Taher Gulamhussein, advogado de Hasan, afirmou que a decisão final reconheceu de forma inequívoca a condição de refugiado, após anos de incerteza e atraso. O JCWI também destacou questionamentos sobre eventual pressão externa para influenciar o desfecho.
A polícia jurídica informou que o caso reforça debates sobre a aplicação de critérios de refúgio e a resposta institucional a situações de perseguição. A história segue sob avaliação de autoridades e possíveis ações legais adicionais.
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