- A ministra das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, criticou publicamente a governadora do Banco Central da Nova Zelândia, Anna Breman, por ter assinado uma declaração de apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.
- Breman disse que assinou para defender a independência dos bancos centrais e que o apoio reflete o interesse da instituição, que é independendente do governo.
- Peters afirmou em rede social que o RBNZ não deve se envolver na política interna dos EUA e sugeriu que a governadora deveria manter o foco na política monetária doméstica.
- Um porta-voz do RBNZ não comentou o post de Peters.
- O contexto envolve turbulência no RBNZ no fim de 2025, com a nomeação de Breman em 1º de dezembro de 2025 após a saída conturbada da antiga governadora e a renúncia do presidente da instituição, além de tensões sobre o orçamento da autoridade monetária.
O governador do Banco da Nova Zelândia (RBNZ) enfrentou críticas após assinar uma declaração de solidariedade ao Federal Reserve dos EUA. A assinatura ocorreu na semana passada, quando dirigentes de bancos centrais internacionais endossaram o chair Jerome Powell. A medida elevou dúvidas sobre a atuação do banco neozelandês em política externa.
Anna Breman, primeira mulher a chefiar o RBNZ, participou da assinatura ao lado de autoridades de bancos centrais da Europa, Reino Unido, Canadá e Austrália. O documento indicou defesa da integridade institucional e da independência dos bancos centrais para manter a inflação estável e os mercados financeiros estáveis.
A reação veio do chanceler Wellington Peters, que na rede social X afirmou que o RBNZ não tem papel nem deveria se envolver na política interna americana. Segundo o ministro, Breman deveria priorizar política monetária doméstica e manter a linha institucional da autoridade neozelandesa.
O porta-voz do RBNZ afirmou que Breman assinou a declaração por acreditar na independência dos bancos centrais e para representar o ponto de vista da instituição, que é estatutariamente independente do governo. Não houve confirmação de orientação governamental sobre a assinatura.
O episódio ocorre em meio a turbulências recentes no RBNZ, iniciadas com a saída do ex-presidente Adrian Orr no início de 2025 por divergências sobre orçamento da instituição, seguida pela renúncia do presidente do conselho, Neil Quigley, por questões de transparência.
Nova Zelândia mantém relação tradicionalmente próxima com os EUA, ainda que não seja aliada formal. Peters tem enfatizado a necessidade de respeitar os Estados Unidos, sem abrir espaço para confrontos desnecessários, ressalvando vínculos fortes entre os dois países.
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