- Lideranças empresariais australianas e figuras públicas assinam carta aberta pedindo uma comissão real da Commonwealth para investigar antisemitismo, radicalismo e os acontecimentos que antecederam o ataque terrorista na Bondi Beach, em dezembro.
- Pelo menos 120 signatários, incluindo ex-governadores do Banco da Austrália Philip Lowe e Glenn Stevens, bilionário James Packer e ex-CEO da Telstra David Thodey.
- O primeiro-ministro não apoiou a ideia de uma comissão nacional; o governo trabalhista lançou uma revisão sobre as respostas de agências de inteligência e aplicação da lei, coordenada pelo ex-chefe do ASIO, Dennis Richardson.
- Cardeais católicos também defendem uma investigação mais ampla sobre antisemitismo na Austrália, sugerindo que, além da revisão de Richardson, haja uma apuração nacional com autoridade e recursos suficientes.
- O governo de New South Wales vai realizar uma comissão real estadual, com cooperação das agências federais; o premiê Anthony Albanese continua resistente a uma comissão nacional, apesar de pressões de defensores dos direitos humanos.
Durante a semana, líderes empresariais australianos e figuras públicas intensificaram pedidos por uma comissão real da Commonwealth para investigar antisemitismo, radicalização e os acontecimentos que antecederam o ataque terrorista na Bondi Beach, em 14 de dezembro. A iniciativa reúne mais de 120 signatários, incluindo ex-governadores do Banco da Reserva da Austrália, Philip Lowe e Glenn Stevens, o bilionário James Packer e ex-CEO da Telstra, David Thodey. A carta também envolve figuras do esporte, política e gestão universitária.
Os signatários defendem soluções práticas para restaurar a coesão social e garantir a segurança de todos os australianos, afirmando tratar-se de uma crise nacional que exije resposta ampla, que transcenda questões políticas. O comunicado aponta para o aumento de assédio, intimidação e violência contra a comunidade judaica desde outubro de 2023, quando o Hamas lançou ofensiva contra Israel, desencadeando uma escalada de violência na região.
Além da imprensa, líderes católicos mais influentes do país também solicitaram uma apuração mais ampla sobre o antisemitismo em uma carta publicada na sexta-feira. O arcebispo de Perth, Timothy Costelloe, enfatizou a necessidade de investigar as raízes profundas do preconceito, além da revisão conduzida por Dennis Richardson, para evitar que o episódio se repita.
Mudança de tema: comissão estadual e cooperação federal
O governo de NSW anunciou que instaurará uma comissão real em nível estadual, com cooperação de agências federais. A medida busca analisar causas estruturais do ataque e orientar políticas de prevenção, dentro de um quadro institucional mais amplo. O governo federal não descartou a possibilidade de coordenação entre esferas.
O primeiro-ministro Anthony Albanese continua apoiando a ideia de uma investigação nacional, mesmo diante de resistência a nomeações adicionais. Lorraine Finlay, comissária de direitos humanos, afirmou que uma apuração nessa escala é essencial. Ele citou, entre especialistas, Dennis Richardson e dirigentes das autoridades de segurança.
Contexto internacional e impactos locais
A divulgação da carta ocorre em meio a um cenário internacional de tensões, com a resposta a ataques na região acompanhada por reações políticas no país. No campo local, o debate gira em torno de mecanismos que melhorem a comunicação entre comunidades e as forças de segurança. A imprensa acompanha também o andamento de políticas voltadas à proteção de minorias.
Entre na conversa da comunidade