- Em vinte e três de dezembro, o ministro Ricardo Lewandowski encontrou o presidente Lula no pavilhão de autoridades do aeroporto de Congonhas e entregou presentes de Natal, dizendo que precisava sair da pasta da Justiça e Segurança Pública.
- Menos de dois meses antes, em quatro de novembro, Lewandowski participou de uma reunião de emergência em Belém sobre violência policial; houve críticas à atuação da Polícia Federal e ao controle de notícias sobre o tema.
- Na saída, Lula afirmou ter confiança no ministro, mas havia mágoa implícita, e o tema repercutiu entre ministros presentes ao encontro.
- Em dezembro, Lewandowski fechou um acordo de cooperação contra o crime organizado com países do Mercosul; ele não foi convidado para a reunião seguinte sobre o tema.
- Nos últimos dias, colegas perceberam que Lewandowski já havia levado itens pessoais; ele planejava entregar a Lula a carta de demissão, e a saída ganhou a prática, com segundo relatos o ministro já fora do ministério.
No dia 23 de dezembro, o ministro Ricardo Lewandowski encontrou o presidente Lula no pavilhão de autoridades do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ele entregou presentes de Natal ao petista e à primeira-dama, Janja Lula da Silva, e disse que precisava deixar o governo, alegando pressão familiar. Lula pediu alguns dias e não houve nova conversa.
Quem presenciou a cena atribui tom ameno, mas com mágoa implícita. Pouco menos de dois meses antes, Lewandowski havia sido chamado a Belém para uma reunião de emergência, quando Lula estava na cidade para sediar a COP30. O tema era a segurança pública, não o assassinato de dezenas de pessoas ocorrido no Rio de Janeiro.
O episódio anterior também envolveu divergências sobre a estrutura da segurança pública. Lewandowski teria reagido a propostas de criar uma secretaria vinculada à Casa Civil, o que gerou desconforto entre outros ministros e no entorno do presidente. A reunião em Belém contou com a presença de diversas autoridades, incluindo governadores.
Desdobramentos
Dias depois, o tema voltou a surgir em reunião com governadores, em meio a críticas à pouca visibilidade de ações da Polícia Federal. Lewandowski teria reiterado críticas aos planos de segurança pública, reforçando a ideia de que governadores deveriam responder por falhas. O ministro comunicou, então, o desejo de deixar o cargo.
Segundo pessoas próximas, Lewandowski já havia demonstrado cansaço com o ambiente político no Executivo em Brasília. Ele chegou a costurar um acordo de cooperação contra o crime organizado com países do Mercosul, programado para uma próxima reunião do bloco, mas não foi convidado para esse encontro, o que teria acelerado a decisão de saída.
Na prática, o ministro já teria deixado o cargo, com itens pessoais sendo enviados de volta a São Paulo. A expectativa é de formalizar a demissão em breve, embora Lula tenha tentado dissuadi-lo. A situação aponta para uma descontinuidade na relação entre o Judiciário e o Executivo.
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