- Congresso mais independente e assertivo encurrala o governo de Lula em 2026, com expectativa de continuidade de tensões entre os poderes.
- De fevereiro a abril, metade dos ministros deixará os cargos para disputarem eleições, incluindo Gleisi Hoffmann, e haverá mudanças nas lideranças da Câmara e do Senado.
- Analistas dizem que endurecer o discurso à esquerda e recorrer ao STF contribuíram para o desgaste e para derrotas de propostas prioritárias.
- A articulação política, mesmo com Gleisi à frente, não estabilizou as relações com o Congresso; houve atritos, vetos derrubados e disputas sobre pautas sensíveis.
- O governo intensifica negociações com o Centrão para liberar emendas, mas a chance de reorganização efetiva pode depender de reformas ministeriais e de alterações na articulação para 2026.
O Congresso está mais independente e assertivo, pressionando o governo Lula em ano eleitoral. A articulação política, sob Gleisi Hoffmann desde 2025, enfrenta dificuldades para coordenar a base parlamentar e ampliar apoio às prioridades do Palácio do Planalto. A tendência é de continuidade de tensões entre Executivo e Legislativo em 2026.
O governo reconhece fragilidades na relação com o Congresso desde o início de 2024, com várias propostas prioritárias recusadas ou empurradas para frente. Em 15 de dezembro, Lula admitiu que a equipe governista não conseguiu convencer parte dos congressistas, sinalizando fractures estruturais na articulação política.
A decisão de manter uma linha de confronto com o Congresso e recorrer com frequência ao STF intensificou o embate institucional. A aproximação de Gleisi Hoffmann com o tom ideológico e as dificuldades de alinhamento com a Câmara e o Senado contribuíram para o desgaste, segundo relatos de membros do Centrão.
Novas fricções ficaram públicas em novembro, com ausências de presidentes da Câmara e do Senado durante a sanção de pauta tributária, o que foi visto como distanciamento institucional. Em 2026, Rosas de afastamento institucional permaneceram com as lideranças das Casas, ampliando o distanciamento entre Planalto e parlamento.
A crise ganhou contornos com a saída de Padilha, ex-ministro de relações institucionais, e a manutenção de uma linha de negociação que, segundo analistas, não conseguiu entregar acordos estáveis. Parlamentares descrevem Gleisi como-chave de uma agenda de conflito, dificultando consensos amplos.
Analistas políticos dizem que houve uma radicalização da agenda de governo, com o aumento da dependência de decisões no STF para avançar pautas. A atuação presidencial seria marcada pela polarização, buscando manter maioria apenas em alianças de curto prazo com o Judiciário e com setores do Congresso.
O governo já trabalha com reformas na Esplanada dos Ministérios para 2026, com possível saída de até 19 dos 38 ministros. Mudanças podem impactar as lideranças na Câmara e no Senado, incluindo substituições previstas para o primeiro semestre. O objetivo seria reduzir tensões com o Congresso.
A cada etapa do desgaste, o Planalto reforça a estratégia de mobilizar a base social para sustentar a agenda governista. Em paralelo, a articulação com partidos do Centrão, como União Brasil, tenta acelerar a liberação de emendas, buscando manter algum impulso legislativo diante de um Congresso disposto a impor limites.
Diante do cenário, especialistas avaliam que o governo busca reorganizar a condução política para enfrentar um ano de eleições, mantendo uma posição firme diante de conflitos institucionais. O desafio permanece: avançar em votações relevantes sem abrir mão de bases de apoio sólidas no parlamento.
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