- O presidente Donald Trump anunciou, nesta semana, um teto de 10% para juros de cartão de crédito por um ano, com vigência prevista a partir de 20 de janeiro.
- A proposta não detalha como o governo implementaria a medida nem como as empresas seriam obrigadas a cumprir.
- Críticos questionaram se a câmara pode aprovar a medida sem apoio do Congresso, citando exigências legais e riscos de impactos no crédito.
- Grupos do setor financeiro e bancos manifestaram oposição, dizendo que o teto reduziria a disponibilidade de crédito e poderia levar milhões a cancelarem seus cartões.
- Promotores da ideia, como Bernie Sanders e Josh Hawley, afirmaram apoio, enquanto figuras ligadas a Trump elogiaram a iniciativa, mas destacaram preocupações sobre a viabilidade prática.
Donald Trump anunciou neste fim de semana a adoção de um teto de 10% para juros de cartões de crédito por um ano. A medida, apresentada via publicação nas redes sociais, entraria em vigor em 20 de janeiro. O governo não detalhou como faria a implementação nem como garantiria o cumprimento pelas empresas.
A proposta surgiu durante a campanha de reeleição do ex-presidente, que já havia defendido a medida no passado. Dados oficiais indicam que a dívida de cartão de crédito dos EUA atingiu patamar recorde nas estimativas mais recentes, acima de US$ 1,17 trilhão no terceiro trimestre de 2024, conforme fontes setoriais.
Senadores de diferentes alas se posicionaram de forma divergente. O senador Bernie Sanders e o senador Josh Hawley apresentaram em fevereiro de 2025 um projeto bipartidista para limitar juros a 10% por cinco anos, enfrentando forte oposição de grupos bancários.
Antes do anúncio, Sanders criticou a falta de cumprimento de promessas de Trump relacionadas ao tema. O senador afirmou que o ex-presidente não atuou para aprovar o teto de 10% e questionou a real disposição de frear a prática de altas taxas no crédito ao consumo.
Entre os principais interessados, bancos e associações de setor manifestaram ceticismo. Entidades como a American Bankers Association e outras federações emitiram nota conjunta destacando que um teto de 10% reduziria a disponibilidade de crédito e prejudicaria famílias e pequenas empresas, além de reduzir o acesso a opções de crédito com maior proteção regulatória.
Pelo lado contrário, o movimento pró-teto recebeu apoio de alguns setores, com destacada ênfase na proteção a consumidores que enfrentam juros elevados. Em resposta, um investidor de destaque ligado ao setor financeiro, Bill Ackman, inicialmente criticou a medida ao comentar que os credores poderiam cancelar cartões caso não pudessem manter margens de lucro, mas posteriormente atualizou seu posicionamento, defendendo a importância de reduzir juros, ainda que com ressalvas sobre impactos práticos.
Outras vozes criticaram a viabilidade de implementar o teto sem aprovação do Congresso e chamaram a atenção para possíveis consequências, como o endividamento de clientes e mudanças no mercado de crédito. Especialistas do setor ressaltaram que alterações regulatórias significativas exigem base legal sólida e supervisão adequada para evitar efeitos não intencionais.
A divulgação também teve reação de legisladores como Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts, que expressou ceticismo quanto à chance de o governo cumprir o teto sem aprovação parlamentar. A guerra de narrativas entre apoiadores e adversários manteve o tema em pauta, com diferentes avaliações sobre impactos econômicos e sociais.
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